<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802</id><updated>2009-10-14T02:13:54.450-03:00</updated><title type='text'>Substância Literária</title><subtitle type='html'>Eus-líricos de todo o mundo, uni-vos... O espaço é este. Literaturemos...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-2060197343530999081</id><published>2009-08-11T10:22:00.004-03:00</published><updated>2009-08-11T17:08:53.298-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SoFworAnKwI/AAAAAAAAAOE/s3yHGc7rlhM/s1600-h/ed.+lucas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368696074844711682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SoFworAnKwI/AAAAAAAAAOE/s3yHGc7rlhM/s320/ed.+lucas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#660000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;strong&gt;MEIO SEGUNDO ANTES DE SE JOGAR&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:180%;color:#660000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18;"&gt;&lt;b&gt;
&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: left" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Semana passada jogou-se mais uma pessoa do Edifício Lucas, aqui mesmo no centro bem central de Campina Grande. Digo mais uma porque já não se conta mais nos dedos os tantos últimos passos que decolaram desesperados daquela varandinha discreta de décimo andar e voaram para se agarrar ao menos mais uma vez ao sabor invisível de liberdade que paira no ar e que lhes afagou os cabelos no momento decisivo do salto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Soube que fora uma mulher dessa vez. Mas não sei sequer o seu nome, de onde era ou que motivos lhe impulsionaram a tão fatal impulso. Só lembro de uma pequena formação de pessoas já desfazendo-se no local e da notícia sensacionalista cortando o ar feito bala perdida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Acho incrível como as pessoas costumam fazer alvoroço ante uma fatalidade como aquela. Nessas horas sempre me vem um aperto esquisito na garganta como se eu tentasse remoer minhas concepções acerca do sentido da vida, a mesma vida que acabou de se esvair ali em carne viva. Naquele momento, ali tão perto da tragédia não foi diferente. Confesso com algumas gotas salivadas de remorso que me vieram (não sei por que) aqueles tão famosos versos de Chico Buarque: “caiu na contramão atrapalhando o sábado...” Mas não era sábado como na canção, estávamos na verdade em um dia útil e não menos movimentado na cidade grande. Também não estou bem certo se havia contramão para se cair, uma vez que esta só existiria a partir de uma “mão”, algo tão metafísico e abstrato que eu não saberia definir bem o que é. Geralmente ficamos estáticos e sem mais reação ao nos darmos conta de que estamos diante do abraço incontido e inevitável da vida e da morte.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não sei se a mulher que se jogou deixou alguma carta, bilhete, email ou scrap de Orkut despedindo-se e/ou explicando sua decisão, algo que as pessoas da família e os amigos leriam e com que chorariam muitas vezes até que o impacto da coisa fosse desvanecendo com o tempo. Sei apenas do fato e não tenho pretensão jornalística de noticiá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fico imaginando a sensação terrível e voraz que é o chão chegando cada vez mais perto após um pulo sem volta, coisa que só ela poderia nos dizer se isso aqui fosse literatura e não a vida real. Às vezes acho comigo mesmo que uma pessoa sempre se arrepende no instante seguinte a um salto suicida. E me dá uma amargura inquieta a idéia de que não dá para saber se a mulher da semana passada se arrependeu ou não quando se jogou; no máximo para lembrar q&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;ue ela virou matéria nos fadados telejornais locais da tarde e assunto corriqueiro para os curiosos que fazem ponto dia a dia no Calçadão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero pensar que a última imagem que lhe veio tenha sido vívida reconfortante o bastante para amainar um pouco da angústia que lhe inundava o aflito de um coração a poucos segundos de parar de bater. Quero imaginar que a sua última recordação tenha voltado a uma infância de desaltultices e manhãs felizes de domingo para resgatar uma cena alegre e desproposital do cativeiro involuntário da memória, e que meio segundo antes de se fecharem para sempre seus olhos possam ter sorrido uma última vez.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-2060197343530999081?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/2060197343530999081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=2060197343530999081' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/2060197343530999081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/2060197343530999081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2009/08/meio-segundo-antes-de-se-jogar-rafael.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SoFworAnKwI/AAAAAAAAAOE/s3yHGc7rlhM/s72-c/ed.+lucas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-7639287029102182663</id><published>2009-08-04T20:16:00.006-03:00</published><updated>2009-08-04T20:48:47.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SnjG3oGa1_I/AAAAAAAAAN0/xO8JyaVOFu0/s1600-h/wethwrht.bmp"&gt;&lt;/a&gt;






&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SnjGbXgugsI/AAAAAAAAANs/1q73RQKV_UA/s1600-h/bolo%2Bde%2Bguaran%25C3%25A1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366257129481994946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SnjGbXgugsI/AAAAAAAAANs/1q73RQKV_UA/s320/bolo%2Bde%2Bguaran%25C3%25A1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;BOLO COM GUARANÁ&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;


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Falar em bolo com guaraná automaticamente lembra um monte de coisas: aniversário de criança, intervalo de reunião em que as pessoas não têm dinheiro pra comprar nada melhor, café da manhã dado em casa de político. O bolo e o guaraná são dois elementos que andam juntos com a história de cada brasileiro. Apesar do gostinho enjoado que num golpe de sinestesia chega a lembrar chá de boldo exagerado no açúcar, eu creio que todo mundo goste.
Eu lembro da minha primeira vez com essa iguaria um tanto quanto popular. O pedaço de bolo um tanto modesto no tamanho e puído e esfarinhado na substância rapidamente se transformou em umas poucas e recatadas migalhinhas de farelo na minha mão. Já o guaraná, que foi servido num daqueles copinhos descartáveis bem vagabundos em que geralmente se dá pinga aos bêbados, eu desci de uma só vez, em goles decididos e sincopados. Curiosamente eu me lembro desses detalhes com uma clareza impressionante. Até porque, o arroto depois foi uma maravilha...


&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366257913880896594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SnjHJBn_5FI/AAAAAAAAAN8/qx7WjpTosAw/s320/wethwrht.bmp" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;
Enfim. Bolo com guaraná me remete a um número incerto de lembranças e situações, mas certamente a melhor de todas elas foi a do semblante satisfeito e comovido do meu pai, que pagou paternalmente triunfante ao dono da barraquinha assim que eu arrotei aliviado. Tá, tudo bem, a situação pode até não ser charmosa nem nada, mas lembra até o conhecido episódio da “última crônica” de Fernando Sabino.
De lá pra cá já foram muitos copos e muitas fatias. Decididamente bolo e guaraná são duas coisas que se combinam e sua combinação vem marcando gerações e mais gerações. As bolhinhas do gás do refrigerante e o guardanapo (sempre meio grudado e contaminado com a umidade) que envolve o bolo parecem detalhes de uma coisa só. Falando nisso, já faz até um tempinho que eu não degusto do sabor nem observo de perto os supracitados detalhes. É, acho que tenho que parar de dar cano nas reuniões do trabalho.
Seja em dias nublados ou com sol, entre um papo furado e outro um guaranazinho e um pedaço de bolo sempre vão bem. Afinal, parafraseando (e adaptando) o dito popular, bolo com guaraná podem até não ser caldo de galinha, mas com certeza não fazem mal a ninguém (a não ser que a pessoa sofra de diabete, gastrite em último grau ou coisas do gênero...)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-7639287029102182663?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/7639287029102182663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=7639287029102182663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7639287029102182663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7639287029102182663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2009/08/bolo-com-guarana-rafael-rubens-de.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SnjGbXgugsI/AAAAAAAAANs/1q73RQKV_UA/s72-c/bolo%2Bde%2Bguaran%25C3%25A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4975511099686856150</id><published>2009-07-01T00:37:00.004-03:00</published><updated>2009-07-01T01:13:02.320-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SkrgLjaVVpI/AAAAAAAAANk/zB3F5Va72G4/s1600-h/caminhÃ£o"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353337596172129938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SkrgLjaVVpI/AAAAAAAAANk/zB3F5Va72G4/s320/caminh%C3%A3o" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
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&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;CAMINHOS QUE SÓ CAMINHONEIROS FAZEM&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;
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Todo mundo tem um amigo caminhoneiro. E se há ainda alguém que não tenha é bom saber o quão é interessante e construtivo ser amigo de um. Caminhoneiro não é só uma profissão, é um romper indelével de quilômetros, saudades e sonhos. Como me disse uma vez um velho caminhoneiro, a estrada nunca é apenas um caminho a ser percorrido; é a sua amiga e confidente, quiçá sua melhor companheira de viagem.
A cabine de um caminhão torna-se, com o tempo, mais do que a residência ambulante do seu condutor, ela vira uma parte de si mesmo. Pode reparar que um caminhoneiro não consegue passar muito tempo longe do seu caminhão.
Eu lembro do caso de Seu Joel que, depois de 37 anos de rodagem e dono do seu próprio caminhão não se acostumava mais em passar nem que fosse um dia distante de sua máquina. É um lance de paixão mesmo. Ser caminhoneiro é bem mais do que dirigir um veículo longo. Uma vez caminhoneiro, torna-se cúmplice do volante e amante do retrovisor esquerdo. É um silogismo fácil: o Brasil escolheu as rodovias; as rodovias escolheram os caminhoneiros.
O mais interessante é que, por menos escolaridade que possa ter, todo caminhoneiro é detentor de uma riquíssima sabedoria. E de fato, como não haveria de ser, se eles são formados na maior de todas as faculdades, a vida e os seus caminhos nem sempre bem sinalizados? Uma vez um desses sábios da estrada que transportava uma carga de botijões de gás num trucado vermelho de 10 rodas me contava sobre suas inúmeras viagens. O Brasil é muito maior do que aquilo que a gente vê no mapa – ele me dizia com o semblante sereno e o olhar atento no pára-brisas. Falou-me de uma ocasião em que dirigira por 16 horas seguidas q quando finalmente parou para dormir num desses postos de beira de estrada não tinha feito nem metade do caminho ainda. Pois é. Do Rio Grande do Sul ao Maranhão vão mais léguas do que nossas saudades podem suportar. O Brasil não é apenas grande. Ele também é vasto. É você sair do Nordeste com uma carga de macaxeira e descarregar aipim em Santa Catarina. Os caminhos envolvem nuances.
O caminhoneiro não conhece apenas o Brasil. Conhece também o brasileiro. Cada jeito de ser, de se expressar de cada canto do país vai ficando gravado na memória que nunca se cansa desses peritos da estrada. Uma carona dada ali para encurtar o caminho, uma parada ali para rebocar um companheiro que ficou quebrado na beira da estrada. Vida de caminhoneiro não é fácil. Haja coragem e determinação para viajar por estradas tortuosas fazendo-se disso o buscar do pão de cada dia. Haja solidariedade para parar às quatro da manhã e tirar do prego aquele estranho que pode muito bem ser um daqueles famosos ladrões de carga, mas que também pode ser alguém como você, humilde e de boa índole, e se encontra parado no acostamento com o olhar desesperado e o coração palpitante à espera de uma assistência milagrosa. Haja sensibilidade e bom humor para poetizar os pára-choques e maravilhar os olhos de quem tenta ultrapassar na curva: “A saudade é companheira de quem não tem companhia.”, "Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas" “Antes eu sonhava, agora eu nem durmo”, “Guarde seu silêncio, para que não fique escravo de suas palavras”. E por aí vai...
O caminhoneiro é, antes de tudo, um forte, permitam-me parafrasear o rodado clichê euclidiano. Sua força reside na simplicidade honesta do trabalho, na ânsia de chegar em casa e matar a saudade da família num abraço apertado, no peso da responsabilidade muito maior do que a carga de várias toneladas atrás da cabine. Que esses mestres da estrada continuem por muito tempo cumprindo sua função, que é muito mais do que conduzir um caminhão na rodovia. Que Deus ilumine cada vez mais os caminhos daqueles tem a missão de movimentar de verdade o comércio do nosso país.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Esse texto é dedicado a Toinho de Totó, o cabra mais homem que desbrava os recantos desse Brasil velho ao volante de um caminhão Volkswagen Constelation. Toinho Pequeno, como é conhecido, além de exemplo formidável de ser humano, é o melhor amigo caminhoneiro que eu posso dizer que tenho...)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4975511099686856150?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4975511099686856150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4975511099686856150' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4975511099686856150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4975511099686856150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2009/07/caminhos-que-so-caminhoneiros-fazem.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SkrgLjaVVpI/AAAAAAAAANk/zB3F5Va72G4/s72-c/caminh%C3%A3o' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4913370916756600095</id><published>2009-06-11T22:30:00.000-03:00</published><updated>2009-06-11T23:33:45.360-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SjGv-axHzCI/AAAAAAAAANc/tG4Z0F-8cW0/s1600-h/15.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346247719537593378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SjGv-axHzCI/AAAAAAAAANc/tG4Z0F-8cW0/s320/15.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; QUANDO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando eu era pequeno, gostava de observar os carros que passavam na estrada. Meu irmão e eu acompanhávamos com a vista até eles sumirem pequeninos e barulhentos num horizonte rarefeito e poeirento. Depois eu construía meus próprios veículos de caixas de remédio e brincava com eles na réstia da telha. Tinha uma das caixas de remédio que ofuscava uma luz azul belíssima. Acho que o medicamento se chamava &lt;em&gt;Gleran&lt;/em&gt;, mas na minha imaginação era muito mais do que aquilo. Dizem que criança pobre tem mais imaginação do que criança rica. Talvez seja verdade. Alguma coisa a gente tem de ter mais...
Uma imagem costumava visitar meus sonhamentos: a de uma descida numa serrinha, típica paisagem rural do Nordeste brasileiro, uma estrada de barro que passava em frente a uma casinha modestamente modesta. Confesso que até hoje inda me pego pensando naquele lugar. Era como se eu o conhecesse, sem jamais tê-lo visto na minha vida. Mas crianças são assim mesmo. Não apenas pensam, não apenas imaginam. Elas vivem o lado fantástico da vida. Por isso a vida parece fazer mais sentido.
Quantas vezes me imaginei adulto, quantas vezes quis que o tempo passasse mais depressa para que eu chegasse a vivenciar as possibilidades que tanto formulava em minhas expectativas pueris! Hoje, depois de um quarto de século deixado para trás percebo que os verbos conjugados no futuro só têm relevância depois que saem do subjuntivo. É a gramática sem nexo da vida.
Advérbios de tempo sempre me chamaram a atenção. Gostava particularmente dos “desdes”, “enquantos” e principalmente, dos “quandos”. Era como se eles tivessem a capacidade de recortar retalhos de vida e de tempo. Eu lembro do dia em que meu pai completou setenta anos. Ele acordou mal-humorado e pronunciou: “Estou com setenta anos! Estou velho e imprestável. E saber que parece ser ontem que eu era um menino que corria para todo canto.” Naquele dia eu percebi como retrospectivas podem ser cruéis, dependendo do ponto de vista.
É simples pensar que tudo é uma questão de revisitar com outros olhos aquilo que já fomos. Mas o tempo. Ele faz muito mais do que simplesmente passar. A vida. Ela é muito mais do que um simples envelhecer de células.
Quando finalmente compreendemos aquilo que significa ser adulto, um homem ou uma mulher com algum nível de maturidade considerável, tudo o que ansiamos é a alternativa aparentemente impossível de voltarmos a ser criança. A idéia não é voltarmos no tempo, isso contrariaria inúmeras teorias físicas e astronômicas. É abraçarmos aquela criança dorme no âmago de cada um de nós, louca para ser redespertada. Nossos sonhos não morrem. A distância entre os sonhos e a realidade está na disponibilidade simples de se abrir ou fechar os olhos. E quando se é criança se entende isso muito mais facilmente. Eu lembro que ficava observando os raios de sol da manhã só para que a claridade ofuscante do nascer do dia brincasse com minhas retinas. Então ilusões de óticas transparentes e intrusas desciam do céu como que de pára-quedas e se multiplicavam, ganhando significações e contornos diversos. E mais uma vez se aplica aquela teoria das imaginações das crianças mais pobres. Do que adianta comprar diversões caras se o mundo inteirinho convertido nas belezas acessíveis ao olhar pode ser nosso melhor brinquedo?
Quando por acaso vejo alguma criança bem pobre brincando feliz e radiante, fico pensando no mundo um milhão de vezes melhor em que sua imaginação embarca. Nessas horas umas pontadinhas de ternura são inevitáveis. Então prefiro calar minhas concepções empalidecidas de adulto que finalmente absorveu a suposta face real das coisas da vida. E penso que os sonhos que eu sonhava quando era pequeno não são tão longínquos assim. Na verdade eles são meus melhores impulsos. E eu acho que jamais podemos perder nossos impulsos de vista. São eles que dão um colorido especial ao desbotado de nossas vidas manipuladas. Mas afinal, qual é a melhor hora de recorrermos a eles? Que tal agora mesmo? É só saber procurá-los no lugar certo. E o lugar certo é na simplicidade do olhar de uma criança.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4913370916756600095?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4913370916756600095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4913370916756600095' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4913370916756600095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4913370916756600095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2009/06/quando-rafael-rubens-de-medeiros-quando.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SjGv-axHzCI/AAAAAAAAANc/tG4Z0F-8cW0/s72-c/15.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-1764670980494950507</id><published>2009-04-20T10:02:00.000-03:00</published><updated>2009-04-21T13:15:48.825-03:00</updated><title type='text'>(CONTO)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/Sex0DuCuwFI/AAAAAAAAANE/0iyXn1f5htw/s1600-h/olhos+marejados.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt; 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&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-weight: bold;font-family:georgia;"&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aquele era com certeza o pardalzinho mais bonito que já vira em sua vida toda. Pardalmente tranqüilo, beira-da-estradeava ali, assim, sem se preocupar com o resto alucinado do mundo que adormecia adulto lá fora. Sabrina não queria dormir. Era melhor ficar observando as cotidianices da vida que malabarismavam além da quadrática e miúda janela da ambulância. Eram tantas coisas, tantas... Como alguém pode deixar desmaiar sua sensibilidade e fingir não percebê-las? E as casinhas de taipa a cumprimentavam. Meu Deus, como elas são singelinhas. O homem que carregava aqueles quatro paus de lenha no ombro jamais iria supor que um dia fora refletido naqueles olhinhos marejados que passavam fotografando vida a mais de &lt;st1:metricconverter productid="120 quil￴metros" st="on"&gt;120  quilômetros&lt;/st1:metricconverter&gt; por hora. Tudo pode estar absolutamente tão perto... O menino que carregava a carroça de mão não era forte nem fraco, negro nem branco. Mas lhe lembrou profundamente aquela tardezinha de sol poente já longínqua em que descobriu como se sorri com o coração e se diz tudo sem se pronunciar palavra alguma. Ele teria nome? Ficava...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sabrina pensou por um instante no efêmero das coisas. Quem foi mesmo que inventou esta história de contar o tempo? Nas aulas de Física falaram em frações de segundo. Só não tiveram tempo de dizer que os segundos também são frações de algo muito, muito maior. As pessoas vivem tão ocupadas... Já reparou que quando se é criança o dia parece ser muito maior? É que vivemos a essência dos segundos, não a pressa atribulada dos anos. A ambulância também parecia ter pressa e engolia o asfalto em goles grandes. Sabrina tinha catorze anos e, como afirmaria a máxima universal, uma vida inteira pela frente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Sinto muito. É câncer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Não pode ser, doutora. Minha filha só tem 13 anos de idade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Infelizmente, minha senhora, o câncer não escolhe cor, idade, sexo nem posição social. Dois exames não podem estar enganados. Sabrina tem câncer no canal vaginal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Como pode ser isso, doutora? Minha filha ainda é virgem e tudo! - D. Jailza pronunciara estas últimas palavras como o argumento mais potente e desesperado que lhe forneceu sua bagagem de senso comum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Minha senhora... O fato de ser virgem ou não não quer dizer nada. Na verdade, o câncer no canal da vagina ocorre em virtude de uma predisposição cancerígena das células que se desenvolvem nessa região, independentemente das atividades sexuais da pessoa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aquelas explicações altamente científicas e técnicas não explicavam nada para D. Jailza. Ela não queria acreditar que sua única filhinha fora acometida daquela enfermidade letal e irreversível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Diz que não é verdade, doutora. A bichinha só tem treze anos de idade. Ela não merece isso não...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E na verdade alguém merece? – perguntava em baques surdos e descompassados o lado menos egoísta do coração de mãe de D. Jailza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A ambulância era por demais apertada. Cabia apenas mais uma pessoa sentada do lado da cama. Mas Sabrina já era acostumada com a situação, e quando a dor amainava ela até se divertia, brincando com a ventoinha. Por vezes mirava os olhos para o teto por pedaços consideráveis de tempo, como quem vislumbra algo bem mais longe e muito mais além. Era nesses momentos que os seus olhinhos adolescentes suavizavam a expressão e marejavam um sorriso interior. E Sabrina retrospectivava suas melhores fatias de vida vivida. Engraçado que quando se olha pro nada em nada é a única coisa em que definitivamente não pensamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sabrina lembrou do dia em salvara um gatinho lá na escola juntamente com duas de suas colegas de oitava série. O bichinho era cego e estava encurralado por dois cachorros num recantinho estreito do pátio do colégio. Elas espantaram os cachorros e resgataram o pequeno felino, arisco a princípio, mas que logo logo já ronronava eufórico e agradecido nos colos das meninas. E Sabrina amou-o de imediato, levou-o para casa, alimentou-o e batizou-o de Pitico. Mas quando seu pai chegou em casa não permitiu que Pitico ficasse, para tristeza de Sabrina. “Ora, minha filha, esses animais só servem para passar impinge pra gente”. E Pitico foi recolocado na rua, afastando-se a contragosto, tímido e devagar até sumir pequenininho na última esquina. Meu Deus, como Sabrina chorou naquele dia. Depois disso, ela jamais quereria um animal de estimação novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Outra vez fora flagrada colando na prova de Geografia. Fusos horários. Assuntinho mais chato. E daí se de Brasília a Sidney na Austrália vão 11 horas de diferença? Bah! Trivialidades, desimportâncias. Pra que afinal perder tempo estudando aquilo, quando muito mais divertidos e interessantes eram os seriados na TV? Não havia estudado e pronto. Agora o negócio era mover os pauzinhos na hora da prova. Só que o professor Roberto não deu mole não. E quando Sabrina achou de trocar as folhas de resposta da prova com a colega ao lado, percebeu tardiamente que sua ação desexemplar de aluna estava sendo observada. Ainda tentou disfarçar, mas não tinha mais jeito. Foi zero nas duas sem direito a recuperação. Um total desastre. Como explicar isso em casa? Sabrina podia imaginar a cara de D. Jailza quando ela recebesse o boletim para assinar. Estava até o pescoço encrencada. Isso merecia vingança.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E ela veio no mesmo dia. Pobre do professor Roberto, tão atento para com a fiscalização das provas em sala, tão descuidado para examinar sua moto antes de dar partida! Sabrina e sua companheira de cola haviam travado a roda dianteira da motocicleta amarrando arames nos raios. Quando o desatento e apressado professor deu partida, engatou a primeira e arrancou o desmantelo já tava feito. Pois foi. Newton estava mais do que certo quando defendeu a teoria da inércia. Que queda medonha! O professor Roberto passou por cima dos guidões e desabou com todo corpo no chão. O estrondo no calçamento foi tão grande que todo mundo no colégio correu para olhar o que era. A gurizada ria que se acabava, mangando e fazendo algazarra. E o coitado do professor Roberto, humilhado, levantava-se a custo, batia a poeira e tentava recolher seus papéis que haviam se espatifado na calçada. Enquanto isso, Sabrina lavava as mãos na pia do banheiro feminino com o coração sereno e a consciência mais limpa do mundo. Lá fora, os ânimos cada vez mais exaltados. Tinha de se achar o culpado de uma brincadeira de tão péssimo gosto. “Brincadeira não, isso é atitude de marginal!” – bradava o diretor, esquecendo-se das máximas pedagógicas que aprendera há muito tempo na faculdade. Então. O tempo vai passando e amnesiando um pouco um fervor dos acontecimentos. Muito embora a direção tivesse empenhado sua palavra, o tal culpado jamais seria descoberto. E apesar de algumas pessoas afirmarem de fé e verdade que haviam visto Sabrina rondando por perto da moto do professor, ela estava livre de suspeitas. Não, Sabrina não. Uma menina tão meiga, tão comportadinha... Sabrina recordava este fato hoje com uma pontinha de remorso, mas ao mesmo tempo acompanhada de uma onda de alegria travessa e jovial que lhe trazia um brilho intenso, insistente no olhar. Brilho de vida. Nem que fosse resgatada aleatoriamente na memória. Sabrina se lembrava. Viver era bom. E já havia sido muito, muito melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Você está passando bem, minha filha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Tô sim, mãe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ficou calada de repente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Tava só pensando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Pensando em quê, posso saber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Na vida, mamãe. Na vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Na vida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Sim, mamãe. Olha, olha! O bezerrinho!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Bezerro? Onde, menina?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Pela janela, olha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ah sim. Tô vendo. O que tem de tão especial nele?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Tudo, mãe! Olha como ele é lindo! Escaramuçando todo alegre, olha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;D. Jailza olhou. E pensou na vida também. O semblante e a alma ficaram mais leves. Aquele bichinho saudável todo cheio de energia. Tão novinho. Aquele sabor otimista que tem todo começo. Depois pensou na situação da filhinha e entristeceu-se um pouco. Por que com ela? Por que com sua única filhinha? Então pensou novamente no bezerrinho saltitante e o coração se mais uma vez encheu de esperanças. Ah, Sabrina também havia de ter o seu novo começo. Havia sim. Porque quando se crê em Deus não falta mais nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ainda falta muito, mãe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Anh?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Quanto tempo ainda pra chegar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Ah sim. No máximo mais meia hora, minha filha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Que bom. Já tá me dando câimbra ficar deitada o tempo todo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aquelas viagens aconteciam geralmente nas segundas feiras e haviam se tornado comuns na vida de Sabrina. Desde que o câncer fora diagnosticado, naquela tarde enubladada de quarta. O pior que Sabrina achava naquilo tudo era ter de acordar às três da manhã. “Sabrina, minha filha, acorde, se lembra que hoje vamos no hospital de novo...” Sem falar que tinha vezes que a estrada parecia ser muito mais longa. E parecia que não iria se chegar nunca. Mas a estrada era sua metáfora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;As seções de quimioterapia eram a parte mais difícil do tratamento. Tudo era muito cansativo, dolorido. Nesses períodos, Sabrina ficava muito fraca, debilitada. Sentia como se seu organismo jovem estivesse envelhecendo antes do tempo. Fastios freqüentes, gosto de desmaio na boca. D. Jailza mesma estranhou muito no dia &lt;st1:personname productid="em que Sabrina" st="on"&gt;em que Sabrina&lt;/st1:personname&gt; recusou umas colheradas de doce de caju após um almoço de tímidas beliscadas no prato e poucas palavras à mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Seu doce preferido, meu amor... Comprei só porque sei que você gosta muito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Deixe aí, mãe... Tô sem vontade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Está certo, querida. Vou deixar aqui, tá bom? Se você quiser é só dizer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aquela foi a primeira vez que D. Jailza não pôde abafar a sua tristeza e deixou escapar alguns soluços amargos e entrecortados. Dizem que coração de mãe sofre em dobro as dores de sua cria. E sua menininha tava tão doentinha. Mas sobretudo nessas horas D. Jailza sabia que tinha de ser forte. Não queria jamais que Sabrina lhe visse chorando. Isso faria Sabrina sofrer ainda mais. E a pobrezinha já sofria o bastante, acometida por aquela doença dos infernos. Por isso quando o choro vinha D. Jailza trancava-se no banheiro e escorria suas lágrimas doídas e soliloquiadas pelo ralo da pia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Quando seus cabelos caíram, Sabrina entristeceu ainda mais. Sentiu-se feia, cadavérica. Cada fio que ficava no pente ia desmatando suas melhores esperanças de cura. Era como se seus cabelos representassem uma parte sadia de si. Fiapinhos de vida que iam diminuindo cada vez mais. A primeira vez que inventou de sair na calçada de casa os pivetes na rua insultaram, fizeram pilhéria, zombaram. E a garotinha, careca, rapidamente se recolheu, de olhar cabisbaixo e ego machucado. “Como é que tem gente que tem coragem de fazer piada de um caso de doença? Rir da desgraça dos outros?” Sabrina lembrava de sua turma do colégio, que sempre dava um jeito de fazer brincadeira de tudo. Vieram-lhe umas pontadinhas de saudade. Como fora difícil não estar com eles este ano. Eles já estavam no primeiro ano. Sabrina sozinhava refletindo. Seria tão bom estar também no primeiro ano e não num talvez último. Mas a estrada. Nem sempre as porteiras estarão abertas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Os ponteiros do relógio já iam apontando quase sete da manhã. A ambulância agora reduzia um pouco. A paisagem começava a ficar urbana e barulhenta. Sabrina percebeu que estavam chegando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Feche a janela, mãe, está ventando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E ficou absorta por mais alguns instantes contemplando seu próprio reflexo que dava no vidro da janela da ambulância. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lá estavam seus olhos, marejados e abatidos, mas também vivos e esperançosos. Na janela que dava para o horizonte Sabrina contemplava agora as janelas subjetivas de sua própria alma. Depois fechou-as também&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e ficou pensando baixinho. Até quando “viver é melhor do que sonhar”? Seria bom se o mundo fosse como cada um sonhasse. E Sabrina sonhava. Quereria um mundo quase igual, mas se fosse possível, um mundo sem dores nem quimioterapias. Sim... Seria muito bom. Pensar nisso aquietava seus maiores medos, aqueles que às vezes lhe visitavam e afligiam durante a noite. A cura do câncer. Os médicos na TV afirmavam que ela estava próxima, era só uma questão de tempo. Mas isso também era só um palpite. E palpite por palpite, Sabrina preferia ouvir os do seu coração.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-1764670980494950507?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/1764670980494950507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=1764670980494950507' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/1764670980494950507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/1764670980494950507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2009/04/conto.html' title='(CONTO)'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/Sex0DuCuwFI/AAAAAAAAANE/0iyXn1f5htw/s72-c/olhos+marejados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-5705316500782893406</id><published>2008-12-15T06:56:00.001-03:00</published><updated>2009-06-14T08:21:15.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SUYqW4VHUyI/AAAAAAAAAMo/uv7TO_vJ-RI/s1600-h/relogio-thumb.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279954185704919842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SUYqW4VHUyI/AAAAAAAAAMo/uv7TO_vJ-RI/s320/relogio-thumb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt; RETROSPECTIVA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;

&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="right"&gt;

&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os passos que dei
e os que hesitei desconfiado
foi que persuadiram meu futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;

É mesmo impressionante como levamos em conta o tempo cronológico das coisas. Uma hora, um minuto, um segundo, um momento; tudo é profundamente determinante no apressado e efêmero das nossas vidas...
Sempre me surpreendo quando começo a pensar no que se perpassa dentro do espaço ao mesmo tempo trivial e mágico de 365 dias. O número de dias nem é exato, haja vista que os bissextos acrescentam mais um à sua contagem, mais uma estrofe às suas epopéias. Diante do dezembrar de mais um dezembro é natural que pensemos nos passos que demos até chegarmos ali, e miremos de maninho pelo retrovisor das nossas saudades e lembranças esquecíveis.
Mas deixemos a metafísica um pouco de lado por aqui. Sejamos pragmáticos. Por exemplo: você é capaz de se lembrar ao certo dos pensamentos, perspectivas e objetivos que principiaram em você junto com janeiro deste (ainda corrente) ano, a expectativa que seu olhar denunciava? Como estão em meados de dezembro as sementes que seus sonhos plantaram no começo de 2008? Frutificaram?
Durante o intervalo de um ano acontece um mundo de coisas no mundo. O mundo vai mudando à medida que vamos mudando junto com ele. Tudo é simples e natural, por isso Oswaldo Montenegro tem mais do que razão em seu poético aforismo “faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você desistiu de sonhar?” definitivamente tudo converge, tudo passa e compassa no movimento de translação dos nossos próprios passos.
Eu fico pensando nos meus projetos que não vingaram em 2008, nos poemas que eu nunca consegui dar um final, ,as “utopias nocauteadas no meio do caminho”. Lamentando por não ter feito aquele sorriso sorrir, por desacelerar a adrenalina daquele coração enamorado ansioso de futuro. Agradecendo pela possibilidade que tive de reconfortar, mesmo que virtualmente, aquele outro coração que sofria caladinho com a possibilidade de perder seu ente mais querido e biologicamente mais próximo.
Não dá para se descrever em minúcias, em palavras menos ainda, as sensações que um ano inteiro nos proporciona. Não dá para externalizar verbalmente a saudade insistente daquela garota incrível que justamente este ano foi morar nos Estados Unidos, nem para definir a magia dos momentos de outrora em que dividíamos entre outras coisas poesia e sonhos. Definitivamente não calculamos as horas e os dias de um ano na calculadora.
Fazer a retrospectiva de um ano, este retalho de vidas justapostas num espaço temporal de 365 dias, é reabrir aquele velho álbum de fotografias e sentir aquele mesmo cheiro nostálgico de vida – que passou, que passa, e que sempre passará (trilogia que apenas atesta a sua constante continuidade).
Um ano passa rapidinho, por isso às vezes temos a impressão de que os ponteiros do relógio estão mais rápidos ultimamente. Tenho certeza de muitos que estão terminando esta leitura (ufa, finalmente!) já estejam sentindo por estas alturas aquele sabor de ano que passou. Talvez porque esse sabor seja sempre evidente em dezembro. Eu prefiro o sabor do sorvete que a persistência da minha memória e eu dividimos lá por fevereiro. Porque o sabor da felicidade é atemporal e se se mede é na certeza de uma próxima vez. Afinal, um ano só termina na perspectiva do nascer de outro. Que venham novos sonhos, novos olhares, novas descobertas.
E que no momento em que 2008 subir ao altar e balbuciar o seu “sim” para 2009, eu tenha na boca essa mesma sensação e recomeço para murmurar convenção-socialmente “um feliz anos novo a todos!”
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-5705316500782893406?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/5705316500782893406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=5705316500782893406' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5705316500782893406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5705316500782893406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/12/retrospectiva-rafael-rubens-de-medeiros.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SUYqW4VHUyI/AAAAAAAAAMo/uv7TO_vJ-RI/s72-c/relogio-thumb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-7162679310660212755</id><published>2008-12-04T16:10:00.000-03:00</published><updated>2008-12-06T07:27:09.904-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STg0y7RLgUI/AAAAAAAAAMg/2xfyxDBOgdM/s1600-h/PC040679.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276025012972388674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STg0y7RLgUI/AAAAAAAAAMg/2xfyxDBOgdM/s320/PC040679.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt; CARTA PARA PAPAI NOEL&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Querido Papai Noel

Faltam apenas (ou ainda, não sei) 21 dias para o natal. Há quem diga que esta é a época mais linda do ano e o meu intento aqui nesta carta não será o de jamais discordar de tão observadoras pessoas. Eu também me encanto com todas aquelas luzes, toda aquela neve artificial que não tem nada a ver com a nossa realidade tropical e com as músicas suaves que as lojas colocam para tocar. Agora há pouco, por exemplo, quando voltava da padaria reparei que o posto de gasolina aqui de perto de casa tinha colocado um belo enfeite de natal em que estão o senhor e suas renas logo acima da expressão “Merry Christmas” (assim em inglês mesmo). Confesso que adorei o anglicismo. E, com toda sinceridade, quero entendê-lo muito mais como uma marca cultural positiva da globalização que como apologia barata ao imperialismo norte-americano. Definitivamente o natal é uma época do ano que nos faz refletir um bocado. Por exemplo, por que, com tantas evidências cabais e incontestes, ainda há pessoas céticas ao ponto de acharem que o senhor não existe? Essas pessoas só podem não andar pelas ruas na época do natal... Sabe, Papai Noel, eu ainda não sou pai nem nada, mas no dia em que eu tiver um filho e ele perguntar se o senhor existe, eu responderei com todas as letras: “Papai Noel existe sim, meu filho.” Ele surgiu não lá do Pólo Norte (lugar frio da mulesta), mas da necessidade de lucro capitalista e do comércio que sempre esquenta em tempos de se receber décimo terceiro.
Posso te contar um segredo, Papai Noel? Tinha um tempo que eu detestava o senhor. Dizia que o senhor aparecia para uns meninos e outros não. Essas coisas de quem não sabe o que diz nem diz o que sabe... O senhor me entende, não entende? Infância pobre do sertão, menino que dormia de rede. Eu não poderia exigir tanto da solidariedade do senhor e da precisão geográfica de radar das suas renas. Não era o senhor que me deixava de fora, como eu por pueris vezes cheguei a pensar. Hoje compreendo que eu é que não estava de dentro. Por isso não entendia; por isso me acostumei a passar os natais sem a magia midiática dos seus “ho ho hos....”
Esta carta, Papai Noel, tem dois propósitos: o primeiro e mais imediato deles é pedir desculpas pela vez em que fiz um gesto obsceno para o senhor lá na rua Maciel Pinheiro após receber o seu sincero voto de “Feliz Natal, ho ho ho!” o segundo propósito diz respeito ao meu pedido de natal. Trata-se de algo muito simples. Eu apenas gostaria que neste ano as pessoas vivessem o natal por aquilo que ele realmente, historicamente significa: a comemoração pelo nascimento do salvador da humanidade. Quer dizer, Papai Noel, eu imagino que o senhor deva ser cristão também... Por isso mesmo eu gostaria que a fraternidade natalina se desse nas pessoas tornando-as mais solidárias e humanas umas com as outras, e menos hipócritas nos troca-troca de presentes de promoção de queima de estoque. Enfim, Papai Noel, não estou querendo desconstruir o ideário da nossa cultura ocidental, apenas desejando que este ano todos vivamos o verdadeiro espírito natalino. Que todos tenhamos um feliz natal, mas acima de tudo um natal de verdade. Em que as pessoas lembrem-se de Cristo e conseqüentemente do verdadeiro sentido de se comemorar o natal, apesar das preocupações, das dívidas, das injustiças sociais. Um feliz natal para todos, mesmo para quem não tenha cinco centavos para dar um big-big de presente. E um feliz natal para o senhor também, Papai Noel. Pode ficar em casa este ano. Tenho certeza de que o senhor (não mais que o resto do mundo) merecerá este descanso e, por assim dizer, este legítimo e descapitalista presente de natal.
&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-7162679310660212755?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/7162679310660212755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=7162679310660212755' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7162679310660212755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7162679310660212755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/12/carta-para-papai-noel-rafael-rubens-de.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STg0y7RLgUI/AAAAAAAAAMg/2xfyxDBOgdM/s72-c/PC040679.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-5856079364851322058</id><published>2008-12-03T06:52:00.006-03:00</published><updated>2009-06-13T16:31:41.290-03:00</updated><title type='text'>(MEUS POEMAS COMETIDOS)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STZXGSfIF8I/AAAAAAAAAMY/bsreXUhzizU/s1600-h/tempo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275499779064338370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STZXGSfIF8I/AAAAAAAAAMY/bsreXUhzizU/s320/tempo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;HOJE ETC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Talvez seja impossível conjugar o tempo presente &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
No indicativo das atuais circunstancias &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
É sonolentamente árduo observar pela janela &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Tudo o que não conseguimos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Viver é um ato desatado e subjetivo &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
E eu já não me importo com quase mais nada &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Hoje não me resta senão o resto &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Do perfeito ou imperfeito pretérito &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Que conjugamos aos trancos e barrancos.
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Minhas retinas já desanimaram &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
diante da evidente impossibilidade &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
de um futuro mais que perfeito &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
(algo gramaticamente imponderável)
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
E diante desse quadro crítico &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
nos sentimos críticos &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
de um nada sem nenhuma arte &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Somos um museu de sombras saudosistas &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Revoltadas e alienadas
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
E eu em nada me diferencio &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Se silencio é por comodidade &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
ou mera preguiça macunaímica.
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Eu não me escondo, mas não apareço &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Não padeço nem dou gargalhada &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Estou muito ocupado paquerando o ácaro &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
do calendário amarelado e sádico &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
que a minha avó me deu no ano novo &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Não chorarei nem cantarei canções de amor &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Não contaminarei o mundo já contaminado &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Com a medíocre poesia do meu ser &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Porque meus molares semi-obturados &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Há muito trituraram o fiasco &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Das minhas metáforas adormecidas
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
O amanhã que se transforme em hoje &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
E o hoje que se transforme em hoje &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Escoando devagar e sempre &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
Pelos esgotos da minha memória...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;a class="htc" href="livecall:18-07-2007"&gt;18-07-2007&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-5856079364851322058?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/5856079364851322058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=5856079364851322058' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5856079364851322058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5856079364851322058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/12/meus-poemas-cometidos.html' title='(MEUS POEMAS COMETIDOS)'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/STZXGSfIF8I/AAAAAAAAAMY/bsreXUhzizU/s72-c/tempo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-8685329923016984117</id><published>2008-10-13T20:45:00.000-03:00</published><updated>2008-10-13T20:51:03.979-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SPPeicKzIxI/AAAAAAAAAMQ/9JvSKb6Jy84/s1600-h/teclado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256789873329906450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SPPeicKzIxI/AAAAAAAAAMQ/9JvSKb6Jy84/s320/teclado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;TEOREMA CONTEMPORÂNEO EXTREMAMENTE INUSITADO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
 &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Ícaro entra na sala...
Ícaro fala para todos: boa noite! Alguém a fim de tc?
Pandora (reservadamente) para Ícaro: Boa noite... vc sonha alto, hem? (rsrs)
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ???
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: aff... O Ícaro, entendeu? O que significa ? O nick que vc está usando. Dãããã!!!!
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ahhhhhh
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: é só p tirar onda msm. Vc nunca assistiu o desenho do Hércules?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: ué, e é só por isso? Que coisa mais idiota, nã...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: idiota é vc. E Pandora... um nome vei q nem existe. Q leseira. kkkkkkkkk
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Meu Deus, o caso é pior do que eu pensava...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Bem, não sei se isso vai adiantar de muita coisa. Mas só pra sua informação, o nome Pandora vem do grego e significa dotada de tudo...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: blz...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: como é q vc lembra disso td?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: não lembro ipsi literis. Mas pra que serve o Google nessas horas, não é verdade? (rsrsrs)     
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: que mulesta é ipsi literis
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora:?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: kkkk
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Desculpa aí. Deveria ter imaginado que salas de bate-papo e expressões latinas não dão uma combinação muito boa...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: olha, vou te explicar, ok? Ipsi litteris significa com todas as letras, isto é, dito da mesma forma, com exatidão, tipo a mesma coisa, entendeu?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: a mesma coisa o q?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: esquece...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: vc me deixa confuso...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: owww, eu te deixo confuso? Que bonitinho...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ei, peraí, né... num precisa zoar tbm
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Perdão, criança
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: criança? Oxe e vc tem quantos anos?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Não... criança é um modo de falar. Eu só tenho 26 anos (rsrs)
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: hummm eu tenho 19
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Ah, é mesmo? Que fazes da vida?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: por enquanto só estudo. Vou prestar vest no final do ano
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Olha, que legal! Pra que curso será?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ainda n tenho certeza n. qualquer coisa q de dinheiro...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Nossa! Que coisa mais capitalista. Você só pensa na parte financeira da coisa, é?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: claro. Minha família é pobre. Precisa de grana. Eu acho q é o melhor futuro q eu possa dar p mim e p eles
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Sei... isso é mesmo muito complicado. Mas não podemos pensar só por este lado não. Você sabe, o dinheiro é importante sim
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: e se é...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: mas também temos q eu pensar em algo que nos realize
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: profissionalmente, pessoalmente, entendes?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: hum hum...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ei, agora fala um pouco de vc tbm
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: solteira?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: É, na verdade sou. É uma parte meio complexa, meio conturbada da minha vida. Assim, como eu te diria... na verdade... tipo, eu sou homossexual, entendes?
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: eca, tu é macho é?
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: NÃO, MENINO!!! Deixa de ser tão ignorante
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: foi vc q disse q era homossexual
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Menino, a palavra homossexual não se restringe apenas a homem não. Ela significa literalmente, etimologicamente “sexo igual”...
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: explica, né... nunca fui bom em biologia msm...
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Biologia? Rapaz, você está conseguindo me surpreender cada vez mais
Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: a propósito, vou sair. Pode ser contagioso isso aqui
Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: oxe! e é a doida, é?
Pandora sai da sala...
Ícaro fala para Ícaro: vai p lá, sapata réa... na, num intende nd q a pessoa diz. Afff num suporto gente burra. nã, eu sou mais eu, filha...
Ícaro fala para Ícaro: lesa lesa lesa
Ícaro fala para Ícaro: kkkkkkkkkkkkkk&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-8685329923016984117?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/8685329923016984117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=8685329923016984117' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8685329923016984117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8685329923016984117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/10/teorema-contemporneo-extremamente.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SPPeicKzIxI/AAAAAAAAAMQ/9JvSKb6Jy84/s72-c/teclado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4053105936184973685</id><published>2008-10-06T17:20:00.000-03:00</published><updated>2008-10-08T17:24:15.480-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOp7u_L0IHI/AAAAAAAAAMI/YGfZx-sxXNo/s1600-h/politico+brasileiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254147962446291058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOp7u_L0IHI/AAAAAAAAAMI/YGfZx-sxXNo/s320/politico+brasileiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;SÓ MAIS UM CASO BRASILEIRAMENTE ILUSTRATIVO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;E o candidato a vereador daquela cidadezinha pequena em todos os aspectos semânticos dessa palavra pleiteava seu sétimo êxito. Estava confiante. Jamais perdera uma única eleição, uma única oportunidade de lucrar mais um voto de confiança. Jamais saíra do lado dos mais humildes. E seria doido de sair? Filho de fazendeiro, aprendera desde cedo que bom curral é aquele sempre bem pastorado. "Solidário e bem-intencionado". O vereador Henrique Leal gostava da máxima que o descrevia e auto-convencia nos períodos de campanha. Conhecia pessoalmente todos os tão quantitativos e estatísticos nomes  que compunham a lista de eleitores do município. De fato, não poderia ser diferente. Proprietário que se preze sabe de cor de cada uma das cabeças do seu rebanho.
Naquele dia, seu Henrique fazia um corpo a corpo apressado pela comunidadezinha rural da sua Bruzundanga tão palmo por palmo conhecida.
Quando entrou sem pedir licença na casa de Seu Luiz de Tal, a quem “considerava como se fosse seu próprio irmão” já foi se sentando na calçada do fogão de lenha e se servindo com uma (sempre energética e revigorante) xicarazinha de café. Nem reparou que sujara de tisna a bainha da calça e foi logo populistamente perguntando:
- Então, Seu Luiz, o senhor sabe o quanto eu prezo pela sua família. O senhor me conhece, eu gosto de ser direto. Do que o senhor está precisando, pra que a gente fique certo nesta eleição?
- De um representante decente na Câmara. Alguém que se interesse e lute pelas necessidades coletivas de nossa comunidade.
Seu Henrique mirou Seu Luiz de cima a baixo com um daqueles olhares atarantados de “Ora, não me venha com resposta difícil!”, e depois de alguns segundos de silêncio atravessado na garganta, retrucou vitoriosamente:
- Ah, então neste caso, muito obrigado pela confiança, Seu Luiz. Sabia que podia contar com o senhor. Mas tem certeza de que não está precisando de mais nada? Uns sacos de cimento extras para rebocar sua sala, um examezinho de vista? Uma chapinha nova pro sorriso ficar mais bonito também não é pecado pra ninguém, né...&lt;/div&gt;E de excessos de exames de vista e escassez de exames de consciência a campanha foi sendo feita. Lógico, seu Henrique Leal deve mais uma e democrática vez ter concretizado seus objetivos. Na Câmara, arrotaria as mesmas falácias – elas são uma maravilha para preencher o branco do papel das nossas atuações legislativas...
E daí se ganhava a eleição praticando assistencialismo barato? O povo gosta é disso. Se eu não fizer outro faz e ganha meus votos. Etc, etc...
O fato é que Seu Henrique Leal continuaria. Reputação ilibada. De sessão em sessão, de discurso em discurso, faria do seu nome uma bandeira, Henricando Lealmente em nome do povo pobre que sempre o elegera.
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4053105936184973685?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4053105936184973685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4053105936184973685' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4053105936184973685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4053105936184973685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/10/s-mais-um-caso-brasileiramente.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOp7u_L0IHI/AAAAAAAAAMI/YGfZx-sxXNo/s72-c/politico+brasileiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4670956284848686218</id><published>2008-10-01T10:36:00.000-03:00</published><updated>2008-10-01T18:43:20.883-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOPusHmhvFI/AAAAAAAAAMA/euzOqZr1oas/s1600-h/campina+grande+II.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252304032166427730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOPusHmhvFI/AAAAAAAAAMA/euzOqZr1oas/s320/campina+grande+II.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;RELÍQUIAS DA 1295 (TAMBÉM CASA, TAMBÉM VELHA...)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Por acaso eu passei hoje em frente a, como chamamos comumente, casa de 2004. Tá, tudo bem, não foi por acaso... Eu só passei por lá porque fiz um desvio obtuso de muitos propositados graus para resgatar algum punhado de lembranças e depois escrever essa crônica. Lá estava eu de novo, em frente à calçada da 1295, na Antenor Navarro, absorto no limiar revisitado das minhas nem tão distantes memórias. Moramos ali de novembro de 2003 a dezembro de 2004. Digo moramos, porque (sem querer multiplicar o título do romance) éramos 12. Todos universitários (e bem feras, saliente-se), todos mais jovens, ingênuos e sonhadores (perdoem-me esta última redundância, tudo bem). Compartilhamos ali um bocado de experiências. Realizações, dissabores. Inda recordo da enorme sala onde (como não tínhamos móveis mesmo para ocupar o espaço) pré-adolescentemente jogávamos futebol e fazíamos torneios de vôlei; do muro que tinha uma simpática, apesar de modesta área de lazer para comes e bebes. Foi lá que foi feita a famosa feijoada, cujo último ingrediente fora uma cueca ardilosamente jogada dentro da panela (por uma infeliz coincidência, vestimenta de minha propriedade, logo eu, cujo único pecado cometido fora o de lavar sabadamente minhas roupas e participar de poucas colheradas da diversão...).
Muita gente chamava de “nosso próprio Big Brother”. Apesar da comparação pobre, tudo que passamos ali dentro nos foi por demais enriquecedor. Foi um tempo que definitivamente nos tatuou com marcas de saudade.
Nossas discussões político-filosófico-sociológicas (chamávamos assim), as brigas, os jogos da verdade que nunca explicitaram verdade nenhuma. Tudo isso... A palmeira lá no terraço nunca cresceu e o quarto lá do recanto da sala (o quarto fedorento, como batizamos) jamais foi utilizado; muito ácaro devido à umidade, muita mística devido ao homem que, no passado, achou de se enforcar lá dentro. Os vizinhos diziam que a 1295 era mal-assombrada. Eu sempre achei isso fantástico. Algumas das pessoas que moravam lá comigo chegaram a ouvir algumas vozes ainda. Eu jamais vi ou ouvi coisa alguma. Que pena. Este texto ficaria tão mais charmoso e chocante com a vivência de um episódio dessa natureza... Falando em barulho, impossível de não ouvir era o das latas vazias de leite que estrondávamos nas paredes da sala (quer dizer, eu não participava, mas é tão mais bonito colocar assim na 1ª pessoa do plural) durante o mais silencioso das madrugadas, com o único intuito de perturbar as meninas da casa. A sala fazia muito eco – imagine-se então por volta das duas da manhã...
Pois é. Mesmo hoje, depois de calendariamente vencidos quatro anos, é bem provável que os nossos ecos ainda ecoem por ali. É o velho, porém sempre prático trocadilho: nós saímos daquela casa, mas aquela casa jamais sairá de nós.
Eu me lembro do dia em que fiquei trancado do lado de fora, e a vizinha da frente – caramba, nós éramos loucos pela vizinha – me chamou pra lá e eu passei o dia na casa dela...
Quando porventura o aluguel atrasava (quando eu digo porventura, entenda-se muito freqüentemente) e “Seu Zé Galdino” vinha nos cobrar, era só ele estacionar sua surrada D20 na calçada para iniciar aquele rebuliço: “Vá receber lá o homem, você... Eu não, da última vez fui eu...” Enfim. Eu inda fui recebê-lo um bocado de vezes. Abria o portão com um simpático “Bom dia, seu Zé Galdino!”, ao que ele retrucava seu-barrigamente: “Cadê? Já tem o dinheiro do aluguel?” E era sempre assim. Na verdade, nunca tínhamos o tal dinheiro do aluguel naquele exato momento, mas sempre dava-se um jeitinho e Seu Zé Galdino ia embora fulo da vida. Seu Zé Galdino era uma onda...
Uma vez ouvimos um estrondo bem forte na porta que dava para o muro. Claro, corremos todos para os quartos e nos trancamos lá dentro, pois imaginamos que seria alguém arrombando a casa para nos assaltar (assaltar o que, meu Deus?). Ligamos para a polícia. Eles chegaram competentemente em pouco mais de uma hora e constataram o óbvio: não havia nada nem ninguém de suspeito nas imediações. No máximo fora algum gato de rua gateando-nos a atenção e testando-nos a (falta de) coragem.
Etc...
1295, mais do que uma estrutura física de concreto.
Ela anda muito mudada. A fachada está de pintura nova, não é mais o azul cor de céu a que éramos tão acostumados. Agora está meio mostarda (nada a ver). E tem até carro estacionado na garagem, na mesma garagem que em 2004 lotávamos de varais para pendurar nossas toalhas devidamente gravadas com nossos nomes em ponto de cruz. Mas, principalmente, a 1295 não presencia mais os nossos sonhos de futuro, quando conversávamos na calçada observando os carros que passavam apressados na avenida. Quando, no seu silêncio materialmente inanimado, a 1295 apenas nos confidenciava que o presente também tem pressa. O mesmo presente que hoje, tanto neste texto, como na velha casa da Antenor Navarro, comporta uma parte das nossas saudades. 1295, muito mais do que os quatro algarismos que indicam o trivial de um endereço postal. A velha casa da Antenor guarda em si um pouquinho de cada uma das nossas histórias, dos nossos anseios, fazendo-se para sempre presente na métrica desexata desse nosso poema épico chamado vida.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4670956284848686218?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4670956284848686218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4670956284848686218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4670956284848686218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4670956284848686218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/10/relquias-da-1295-tambm-casa-tambm-velha.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SOPusHmhvFI/AAAAAAAAAMA/euzOqZr1oas/s72-c/campina+grande+II.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-9094684241775930793</id><published>2008-09-04T09:01:00.000-03:00</published><updated>2008-09-04T09:09:11.204-03:00</updated><title type='text'>MEUS POEMAS COMETIDOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://cronicasdesergiolopes.blogspot.com/"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242136176820748418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL_PFCugAII/AAAAAAAAAJI/V_YSng3IhJQ/s320/ESTRADA+DO+CARIRI.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;RASCUNHOS DE MIM&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

Eu ainda me lembro das auroras
Dos tempos fáceis e dos sentimentos
Da fagueirice das suas palavras
Da copa da pequena árvore
(o juazeiro na casa do tio Zé, se lembra?)
que servia de sombra para os meus eflúvios
Para os arroubos de infância no sertão...

Nossos passeios nas tardes de domingo
Inda passeiam junto comigo
Minha substância continua
Ela também é totalmente sua
Eu sou só mais um passo percorrido
de idéias e de atitudes

Tudo o que eu fiz e o que nem cheguei a fazer
Arduamente me consolidaram
Na rapidez drástica e lenta da minha odisséia
Se eu olhar para trás
será para esboçar o sorriso
que você tanto merece.

Eu não diria que sinto saudade
Mas sinto a falta dos seus olhos tenros
solícitos e sábios
Os mesmos olhos que me tranqüilizaram
Quando eu senti medo do relâmpago
Que estourou no sertão dos meus temores
 num dos verões das minhas descobertas

Eu sou apenas e simplesmente o  mesmo
depois de algumas cicatrizes
e alguns sonhos metaconquistados. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-9094684241775930793?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/9094684241775930793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=9094684241775930793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/9094684241775930793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/9094684241775930793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/09/meus-poemas-cometidos_04.html' title='MEUS POEMAS COMETIDOS'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL_PFCugAII/AAAAAAAAAJI/V_YSng3IhJQ/s72-c/ESTRADA+DO+CARIRI.png' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-9155565325969056734</id><published>2008-09-02T19:13:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T23:29:27.492-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL27BRaNNEI/AAAAAAAAAI4/ZK2tXmYg0LU/s1600-h/solitude-3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241551171856708674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL27BRaNNEI/AAAAAAAAAI4/ZK2tXmYg0LU/s320/solitude-3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL26rJH8kKI/AAAAAAAAAIw/YDszhD9m3sk/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;JOGANDO CARTAS COM A SOLIDÃO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Eu não amo a solidão. Mas também não tenho medo dela. Redundantemente , eu a encaro de frente, olho no olho, silêncio no silêncio. Érico Veríssimo tinha razão quando fez a sua Olívia barato-filosofar que a gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos. Tudo que perturba, tudo que agrada, tudo o que masturba os nossos egos socializados é uma tentativa de saída para fugirmos dos nossos desnaturais estados de solidão. Digo desnaturais porque não acho a solidão natural coisíssima nenhuma. E discordo em gênero, número e grau daquela falaciazinha unanimizada de que nascemos sós. Antes de mais nada, porque não nascemos sós, muito pelo contrário, o ato de nascer é extremamente coletivo. Já percebeu o tanto de pessoas que fica em volta do coitado do bebê que simplesmente, inconscientemente nasce? Somos oriundos diretamente, cordão-umbilicalmente da vida de outro ser, que para nos conceber quocientou-se com outro vivente. E por aí vai. Silogismos à parte, só se é humano quando em sociedade. Contratos sociais ambulantes. Muito provavelmente é também por causa disso que a solidão assuste tanto as pessoas. Porque além de tudo, a solidão também as rotula. De? Anti-sociais, logicamente.
É. Érico Veríssimo estava mesmo certo. Temos medo dos nossos pensamentos. E só pensamos sobre a solidão quando de fato estamos sós. Aí nos sentimos menos gente, e na maioria das vezes não vivemos esses momentos com a intensidade e a reflexão que eles merecem. Pois com toda a desmodéstia do mundo, eu prefiro aproveitar a minha própria companhia. Até porque ela é ótima. Em que outros momentos eu faria melhores incursões pelo interior do meu interior? Por essas e outras a solidão não me faz medo. Ao contrario, eu a convido para um sempre construtivo jogo de cartas. Que sempre ganho. Assusta-me sim a sozinhez acompanhada a que estamos sempre sujeitos. Porque a sociedade é excludente, jamais inclusiva dos perfis que fogem de suas convenções. É simples. Você não é bem sucedido no alto convívio social, logo, você é menos humano do que os outros e a solidão é o seu castigo.
Quando eu era pequeno, bojo-assistia àqueles filmes americanos que passavam na Sessão da tarde e sempre reparava em como as crianças tinham medo de gente que morava só. Pois é, prolifera-se daí a idéia de solidão como uma coisa assustadora, triste, na melhor das hipóteses. Era inacreditável como eles faziam questão de mostrar o estado de ser só vinculado a alguma coisa ruim. Portanto. Agora há pouco eu estava me sentindo meio sozinho aí resolvi convidar todas as minhas saudades passadas e futuras para mais um desses impagáveis jogos de cartas. Elas sempre conservam suas cartas guardadas na manga. Que ficaram perdidas de um jogo anterior, possivelmente. Mas eu já estou acostumado com as suas jogadas. E até já as adoro. Afinal, o pára-choque de caminhão sempre me convenceu de que “a saudade é companheira de quem não tem companhia” e quem sou eu pra duvidar de um aforismo tão senso-comumente poético? Fomos foi ao jogo. Testa com testa. Eu, a solidão (não vou ser tão egoísta para possessivá-la de minha) e a recíproca que coexiste em todas essas coisas. E, adivinhem? Ganhei de novo.

&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-9155565325969056734?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/9155565325969056734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=9155565325969056734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/9155565325969056734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/9155565325969056734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/09/jogando-cartas-com-solido-rafael-rubens.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SL27BRaNNEI/AAAAAAAAAI4/ZK2tXmYg0LU/s72-c/solitude-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-7745653834548019386</id><published>2008-09-01T18:44:00.000-03:00</published><updated>2008-09-01T18:56:51.116-03:00</updated><title type='text'>MEUS POEMAS COMETIDOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLxkf8i1tvI/AAAAAAAAAIg/C6TvulhgqNg/s1600-h/convicÃ§Ãµes.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241174566343390962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLxkf8i1tvI/AAAAAAAAAIg/C6TvulhgqNg/s320/convic%C3%A7%C3%B5es.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;CONVICÇÕES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;

Eu não quero insistir no velho e cansado discurso
contido nos alfarrábios já amarelados
de que as verdades são um tanto relativas
E nunca aparecem diante das inúmeras falácias universais

Já pensei diversas vezes em desistir de tudo
E dar um tiro na testa das minhas aspirações
Mas é bemvindamentente mais fácil pegar uma carona
com a cara lavada e os dentes escancarados
no movimento anti-horário da vida.

Eu tenho medo das máximas, das tônicas
Cristalinas e politicamente corretas
Proferidas nos instantes de ociosidade
no inchaço hipócrita de pura sabedoria acumulada...

Me assusta a sensatez eleva da ao quadrado
As palavras com gosto de remédio na boca.

Desde cedo, muito cedo
Essas verdades mentem-me ao pé do ouvido
Brincando com a massa de modelar da minha essência
Perfilhando os meus anseios, asa minhas ideologias

Pois vão-se as vãs verdades construídas
e os seus ângulos genéricos de recepção acostumada
Porque a catraca enlameada da máquina-mundo
multiplica seu movimento supersônico
a cada momento que passa

Eu só quero viver e morrer
segundo as minhas próprias e nômades impressões...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-7745653834548019386?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/7745653834548019386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=7745653834548019386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7745653834548019386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7745653834548019386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/09/meus-poemas-cometidos.html' title='MEUS POEMAS COMETIDOS'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLxkf8i1tvI/AAAAAAAAAIg/C6TvulhgqNg/s72-c/convic%C3%A7%C3%B5es.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-3048778165071600937</id><published>2008-09-01T13:00:00.000-03:00</published><updated>2008-09-01T14:28:49.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLwUC2FLKhI/AAAAAAAAAIY/6Qoa3IzdkTQ/s1600-h/vitoria_boavista_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241086105461926418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLwUC2FLKhI/AAAAAAAAAIY/6Qoa3IzdkTQ/s320/vitoria_boavista_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;span style="color:#660000;"&gt;ONIBUSMANIA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Quando soubemos que Paradyso* viria dividir apartamento conosco, imaginamos de imediato todos os perfis disponíveis que pudessem se aplicar a ele. Seria extrovertido ou reservado? Recatado ou impulsivo? Enfim, Paradyso nos surpreendeu. Com seu jeito simples ele alimentava uma paixão incomum: ônibus. Isso mesmo, daqueles que andam apinhados de gente e sempre nos tiram a paciência no sempre demorado das suas esperas. Paradyso amava ônibus de todos os tipos: coletivos, rodoviários, particulares. Ele chegou numa tarde daqueles domingos extremamente dominicais, de futebol na Globo e programa Silvio Santos no SBT. Ao arrumar suas coisas, um dos objetos que manuseou com mais cuidado foi uma miniatura da &lt;em&gt;Wbf turismo&lt;/em&gt; e pôs sobre seu computador com o orgulho de quem expõe seu mais precioso troféu. Naquele domingo ele não nos disse muita coisa não. Na noite de segunda-feira, porém, perplexicou-nos com a confissão de sua grande atração. Assumindo-se um &lt;em&gt;busólogo&lt;/em&gt; (pois é, já dão nome a esse excêntrico estado de ser) de carteirinha, demonstrou-nos a dimensão da sua paixão e nos apresentou todas as miniaturas que ele próprio faz de caixa de creme dental desde os 10 anos de idade. Devem passar de 100. E é mesmo impressionante como ele pensa em cada detalhe. No fundo, não recria apenas modelos de ônibus. Ele constrói mimeticamente seu próprio recantinho de realidade quando se deita sobre um novo projeto. Percebíamos o brilho dos seus olhos enquanto nos mostrava cada modelo.
Depois foram as histórias e mais histórias que consubstanciam o seu romance com aquele meio de transporte. Claro que não me lembro de todas. Mas de algumas em especial eu não esqueceria. Como na ocasião em que ele fez o itinerário completo de um coletivo em João Pessoa na paciência e na sofreguidão das suas 115 paradas. Fazer raiva a Paradyso? Muito simples. É só soltar o verbo contra alguma empresa de ônibus, qualquer uma. Até no murro é bem capaz de ele sair...
Dia desses estávamos indo almoçar no centro quando Paradyso fitou seu olhar num ônibus estacionado, já meio velhinho e desbotado pela ação do sol e do tempo. Mas de longe ele percebeu que se tratava de um antigo modelo da Boa Viagem turismo, e de pronto começou a fotografá-lo. Queria aquela peça preciosa para aumentar o acervo dos seus quase 10 cds lotados de fotos de ônibus. O problema é que o dono do veículo que nos observava ali de perto, não entendeu muito bem as bem intencionadas intenções de Paradyso e o chamou num reservado.
- Para que você quer estas fotos?
Este episódio teria constrangido a maioria dos mortais, mas não a Paradyso, que conseguiu reverter a situação e se apresentou cerimoniosamente como um assíduo colecionador de imagens de ônibus, saindo de cabeça erguida e ego sorridente. Afinal, não é todo dia que se aperta a mão de um legítimo proprietário de ônibus.
Pois é, este é o Paradyso. Há quem ache que vive num mundo de sonho. Mas também há quem diga que os sonhos são a substancia mais imprescindível a todo e qualquer ser humano. E também é bem verdade Paradyso não é apenas sonho abstrato. É também objetivo, finalidade concreta. Veio pra Campina Grande cursar Administração e um dia quer montar sua própria empresa (de ônibus, é lógico). E enquanto ela não sai da tabuleta de planejamento, ele vai criando seus protótipos. E já são muitos, vale salientar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Definitivamente Paradyso é um aficcionado. Tanto que o pseudônimo tantas vezes utilizado aqui é adotado pelo próprio e provém do modelo francês &lt;em&gt;Paradiso 1200 da Marcopolo&lt;/em&gt;, pelo qual ele dedica grande admiração. Acho que ainda vamos nos surpreender muito com Paradyso. Afinal, não é sempre que convivemos com alguém que nutre um amor tão profundo e incondicional, tão inimaginável mesmo aos nossos mais insistentes e rotuladores pre-conceitos. Definitivamente não é todo dia que compartilhamos experiências do dia-a-dia e quiçá do itinerário sempre conturbado das nossas vidas com um autêntico busólogo, como se autodefiniria ele mesmo em meio a um daqueles seus indescritíveis sorrisos no olhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Nome trocado para garantir a privacidade (caramba, eu sempre quis dizer isso!)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-3048778165071600937?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/3048778165071600937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=3048778165071600937' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3048778165071600937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3048778165071600937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/09/onibusmania-rafael-rubens-de-medeiros.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SLwUC2FLKhI/AAAAAAAAAIY/6Qoa3IzdkTQ/s72-c/vitoria_boavista_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-7321269225128191191</id><published>2008-08-05T17:40:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:46.353-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJi7Fg_ooSI/AAAAAAAAAII/7cnEvianx5I/s1600-h/texto+blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231136670621409570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJi7Fg_ooSI/AAAAAAAAAII/7cnEvianx5I/s320/texto+blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt; A VELHA SENHORA DA GETÚLIO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei o seu nome. Tampouco onde nasceu ou passou a maior parte da sua vida. Não sei da sua história, dos seus amores nem dos seus desaventos. Sei que mora ali, numa casa de aspecto antigo localizada na Rua Getúlio Vargas. Fica sempre à porta ou à janela (no primeiro andar) como se esperando por um sorriso, um “bom dia!” ou mesmo pela simplicidade de um olhar transeunte. É como se experimentasse algum prazer subjetivo e inexplicável em observar a vida que o próprio tempo lhe roubou passar desapercebidamente na calçada. Sempre pergunta as horas, como se tentando contar as frações remanescentes do tempo que ainda lhe resta. Tem sempre o mesmo sorriso fácil, a mesma expressão tranqüila nos olhos, a mesma voz mansa e gentil que nos faz querer ficar mais um pouquinho e conversar qualquer coisa a mais que não seja meramente a indicação cronológica dos ponteiros do relógio.&lt;br /&gt;Seu mundo é o horizonte remoto e vertical até onde os seus olhos cansados e já um tanto míopes conseguem alcançar. Talvez não tenha noção do que o mundo aqui fora tenha se tornado. Ou talvez, em sua solidão desglobalizada e interiorana tenha muito mais consciência e mais noção de mundo do que qualquer um de nós que hipocrisiamos socialmente todos os dias. Dia desses (aliás, noite dessas, já que deviam passar das 20 horas) uma amiga minha ziguezagueva pelo meio da rua vindo apressada da universidade e eis que a velha senhora sai à porta, cumprimenta-a cerimoniosamente e diz: “não ande pelo meio da rua não, minha filha, é muito perigoso”. Minha amiga não pôde deixar de sorrir. Um daqueles sorrisos agradecidos e ternos de “pobre senhora, nem imagina que às vezes o meio da rua é o lugar mais seguro quando caminhamos a pé pela cidade...”  Ela passou, e a velha senhora provavelmente a acompanhou com o olhar até o enrolar da próxima esquina, quiçá recapitulando e mnemoremoendo o inconfundível sabor de vida que passara tão perto.  O conceito de vida é mesmo relativo, subjetivo como o olhar da velha senhora que panoramiza o mundo pela janela nostálgica dos seus olhos. Guimarães Rosa chamaria de “travessia”, depois desenharia um oito deitado na frente e poematizaria o momento para todo o sempre que a nossa sensibilidade fosse capaz de sugerir. Pois é só passarmos pela calçada da Getúlio Vargas que a velha senhora estará debruçada em seu pedacinho de mundo lançando-nos um desses olhares de oito deitado.&lt;br /&gt;Tem gente que acha esquisito. Talvez por que a sozinhez alegre e anfitriã da velha senhora incomode os seus conceitos de futuro e de felicidade. Mas esquisito mesmo vai ser no dia em que aquela janela estiver totalmente silenciosa, totalmente vazia e descuriosa pelas horas apressadas que caminham em sua calçada. Porque os nossos passos descompassados e distraídos podem até não se darem conta, mas estarão para sempre fotografados pela lente bisbilhoteira de um olhar perdido; emoldurados no carpe diem inanimado na memória cansada e comovida da velha senhora da Getúlio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-7321269225128191191?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/7321269225128191191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=7321269225128191191' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7321269225128191191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/7321269225128191191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/08/velha-senhora-da-getlio-rafael-rubens.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJi7Fg_ooSI/AAAAAAAAAII/7cnEvianx5I/s72-c/texto+blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-8421824161179180527</id><published>2008-08-01T23:52:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:46.483-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJPaO_6Hk4I/AAAAAAAAAHw/pQERjdHaooU/s1600-h/lua.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229763543515501442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJPaO_6Hk4I/AAAAAAAAAHw/pQERjdHaooU/s320/lua.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt; POIS ENTÃO, DÊ-ME UMAS DOSES DE LIRISMO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acho que estou precisando de algumas doses de lirismo. Do lirismo aguçado que os meninos mais afoitos e perspicazes conservam sempre no mais curioso do seu olhar. Qualquer coisa que desdaltonize o mundo entediado que me cerca. A pior de todas as atitudes é quando deixamos de nos surpreender com coisas que a nossa cultura chama de simples, ou na pior das hipóteses, normais. Por exemplo, agora mesmo estávamos à janela um amigo e eu, e ele atentou meteorologicamente para o fato de nuvens carregadas estarem povoando o céu. Isso poderia ser a informação mais comum e banal do dia, uma vez que estamos &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em Campina Grande"&gt;em Campina Grande&lt;/st1:personname&gt;, onde o tempo sempre varia e vez por outra bate um temporal desavisado. Mas eu fiquei imaginando aquele mesmo cenário visto pela sempre filosófica ótica do olhar de uma criança (assim, pleonasticamente mesmo...). Quando eu tinha lá pelos meus seis ou sete anos admiraria a beleza e a imponência daquelas nuvens incrivelmente pretas que desafiavam o meu pueril medo de chuva... E aí a minha mãe provavelmente me reclamaria por eu estar chamando nuvens escuras de pretas, o que representa quase uma blasfêmia. Então a chuva passaria, mas por muito tempo ainda respiraríamos aquela invasiva e genuína poesia presenteada pelo tempo. Tempos de infância; tempos de poesia e de filosofia fácil. Aberto para sonhos e completamente fechado para melancolias ocidentais e contemporâneas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sabe aquela sensação de quando queremos escrever alguma coisa e simplesmente não nos ocorre nenhuma idéia? Talvez porque o ato de escrever seja constituído por muito mais do que idéias, mas de qualquer motivo que queira ser externalizado, libertado através das palavras, estas mesmas que têm o privilégio de navegar no oceano de emoções que os nossos sorrisos ou as nossas lágrimas às vezes tentam – em vão - esconder. Não estou querendo dizer que a poesia é algo místico, mágico ou coisa parecida, mas algo que está presente em qualquer olhar, em qualquer palavra, em qualquer momento, por mais entediado ou trivial que as nossas concepções adultas e ultrapassadas tentem nos convencer. E também às vezes me vem à memória a longínqua, porém intensamente vivaz, imagem da vaca que queria ser vista lá pras bandas daqueles baixios da serra Bodopitá – eu a vi e a denomino assim. Na beira da estrada, a vaquinha fazia qualquer coisa que fosse muito mais que apenas ruminar tranqüila o seu capim. Ela estava separada de todas as outras, devidamente equilibrada numa pedra um pouquinho alta, mas suficiente apenas para acomodar o apinhado das suas quatro patas. Contemplei-a da cadeira do ônibus à janela. E – puxa!- como eu maravilhei minhas retinas cansadas observando aquela cena ao mesmo tempo bucólica e excêntrica, poética e surrealista. Pensava comigo: que nome Salvador Dali daria a um quadro seu se pintasse o fantástico desta imagem? Foi a imagem mais lírica da semana, a mais inusitada apesar de paradoxalmente crível e deselegante. Talvez a elegância parnasiana definitivamente não se aplique a todos os casos de estética...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dia desses estava folheando um velho livro de poesias e não pude deixar de me encantar com um poema de Manoel de Barros que havia muito tempo não me lembrava. Chama-se o apanhador de desperdícios. Que coisa bela seria “usar a palavra para compor nossos silêncios”... Fiquei pensando nisso enquanto caqueava qualquer motivo que fosse para redescobrir os meus impulsos de escrever. Talvez eu não queira usar a palavra. Eu a quero por completo, poetica e egoisticamente como todo e qualquer “amor que houver nessa vida”. Pois a poesia está inclusive no que sequer pensou-se em dizer ou poematizar, inclusive no silenciar do meu próprio silêncio. Eu não quero uma grande composição. Só um pouco de lirismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-8421824161179180527?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/8421824161179180527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=8421824161179180527' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8421824161179180527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8421824161179180527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/08/pois-ento-d-me-umas-doses-de-lirismo.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SJPaO_6Hk4I/AAAAAAAAAHw/pQERjdHaooU/s72-c/lua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-5478973680634633446</id><published>2008-06-08T08:54:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:46.598-03:00</updated><title type='text'>(MEUS POEMAS COMETIDOS)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SHPP1JOV4YI/AAAAAAAAAHY/6SShqprGlBI/s1600-h/Barcelona-052.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220744904968626562" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SHPP1JOV4YI/AAAAAAAAAHY/6SShqprGlBI/s320/Barcelona-052.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SHPPiQ8r9fI/AAAAAAAAAHQ/C362xEhP5Wc/s1600-h/Barcelona-052.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 0);font-size:130%;" &gt;DEPOIMENTO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Eu estou bêbado&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt; E estou vendo o mundo&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt; como ele realmente é &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;numa loucura alucinante de miragens &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;onde os minutos giram tontos e desmaiam &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;onde os passos caminham confusos &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;e escrevem a história da humanidade.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Estou bêbado &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Ébrio, dopado e estranhamente surpreso &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;com as tão normais formas da cidade&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Agora há pouco vomitei tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;o que havia de hipocrisia em meu estômago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senti-me leve e poeticamente inspirado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E saí a caminhar cantando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas tropecei feio na calçada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e nas saliências das convenções sociais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e no chão caí descordado&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou caído&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bebendo de volta o meu vômito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e ainda acho-o delicioso...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;(22-09-2005)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-5478973680634633446?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/5478973680634633446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=5478973680634633446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5478973680634633446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5478973680634633446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/06/meus-poemas-cometidos.html' title='(MEUS POEMAS COMETIDOS)'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SHPP1JOV4YI/AAAAAAAAAHY/6SShqprGlBI/s72-c/Barcelona-052.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-5646116320890157582</id><published>2008-05-29T11:32:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:46.929-03:00</updated><title type='text'>CONTO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD7AcIFZpII/AAAAAAAAAGw/uobD6D7vFtc/s1600-h/Olhar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205809808725877890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD7AcIFZpII/AAAAAAAAAGw/uobD6D7vFtc/s320/Olhar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="COLOR: rgb(102,0,0);font-size:130%;" &gt;&lt;strong&gt;QUATRO VEZES EMÍLIA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Conheci-a. Conheceu-me. Em verdade, nenhum de nós tinha noção exata do que aquilo significava para o trivial do futuro que nos futurasse. Chamava-se Emília. Achei-a particularmente atraente. Ela (disse-me mais tarde) achou-me simpático e bem-humorado – sagrados tempos de democracia, em que temos o cívico direito de acharmos o que nos der na telha... &lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Era lá no &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname productid="La Costa. Recepção" st="on"&gt;La Costa. Recepção&lt;/st1:personname&gt; do casamento de uma colega de trabalho, que, pelo mais puro e cristalino amor do mundo matrimoniava-se com o filho do prefeito de sua cidade natal; em suma, uma ocasião daquelas em que temos de saber como usar aqueles dezenove e inoxidáveis talheres minuciosamente organizados em cima da mesa. Emília conversava com uma ex-colega de faculdade, a Cida. Nunca me dei bem com Cida – achava-a oportunista e inconveniente – mas quando percebi sua evidente proximidade a Emília, tratei logo de rever meus antigos e precipitados conceitos. Um rio não é mais o mesmo rio nem nós somos mais os mesmos ao atravessá-lo pela segunda vez... Heráclito tinha mesmo razão.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Apresentei-me cordialmente. E Cida naquele dia parecia mais simpática do que sempre. Cumprimentamo-nos tão efusivamente que qualquer um naquela sala julgaria que compartilhávamos deveras de saudades universitárias. Hipocrisias recíprocas à parte, dei logo um jeitinho brasileiro de me aproximar de Emília. E como ela me parecia muito mais bonita assim de perto... Nossa afinidade foi imediata. Ela ria com as namorandices que eu falava. E eu? Ah, eu falava com o seu sorriso... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi assim. Noite perfeita. Efemeramente perfeita. Emília me deu seu telefone. Eu lhe dei meu msn. E o primeiro beijo que deixamos se beijar deve ter durado pelo menos mais de cinco minutos, tempo suficiente para que as mesas paralelas aguçassem sua sutil e dissimulada curiosidade. Acho que naquela noite nós nos demos um ao outro quase por completo. E nossa completude só não se completou porque Emília precisava voltar mais cedo para casa. No dia seguinte teria de viajar bem de manhãzinha. Despedimo-nos com um daqueles abraços de tomara que a próxima vez seja breve e ainda melhor. Aquela foi a primeira noite em anos em que eu não morri de tédio num ambiente daqueles. Fui para casa pouco tempo depois de Emília, retrospectivando os sublimes momentos de alguns outros momentos atrás. O perfume de Emília ficou impregnado &lt;st1:personname productid="em mim. E" st="on"&gt;em mim. E&lt;/st1:personname&gt; por muito tempo Emília ficou impregnada nas minhas retinas, até que estas esmorecessem e se rendessem ante qualquer coisa que fosse muito, muito mais do que sono somente. Pois foi. Sonhei com Emília exata, do mesmo jeitinho de algumas horas pretéritas, sem nenhum cisco a mais ou a menos que fosse de maquiagem byroniana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Dali a quatro dias nos falamos de novo. Ela me ligou. “Humm, Emília e seu celular de novo na área..” Quase explodo-sorri por dentro embasbacado. E ela deve ter percebido isso. Mesmo porque a palavra mais equilibrada e coerente que eu consegui tele-balbuciar foi “alô”. Depois disso os verbos escorregavam-me taquicardiados, nervosos. Senti-me um idiota. Tentei ser engraçado e disse um punhado de besteiras sem graça. Com as quais ela deve ter rido por mera educação. Mas marcamos. Quer dizer, ela mesma. E praquela mesma noite. Emília era desenrolada e sem muitas inibições, gostava de tomar a iniciativa. E eu desmachistamente gostava daquilo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Encontramo-nos às oito. Fomos ao Café &amp;amp; Poesia. Conversamos, tomamos cappuccino e nos beijamos até que o relógio nos desalucinasse às onze e meia da noite. Emília era serena e envolvente. Sem machisto-mencionar que também era feministamente falante. Contava-me muitas coisas. Monologava minutos e minutos a fio, enumerando episódios e mais episódios, os mais banais, que ela própria vivera ou vivenciara. Emília era assim. Femininamente cativante.&lt;br /&gt;Depois disso, falamo-nos no msn algumas vezes. Em vez de beijos, emoctions. Em vez de seu perfume, sua imagem pálida e digitalizada na webcam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu também gostava de ouvir a voz de Emília no telefone. Ela tinha uma falinha arrastada de um suave tão suave que eu quase não percebia seus ocasionais errinhos de português. O amor (se é que era amor) é agramatical. Tanto que minhas palavras facilmente se despalavravam ante qualquer gesto mais chegado que Emília me tencionasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando nos encontramos pela terceira vez, eu ia ansioso. Era como se meu coração claustrofobiasse qualquer coisa que os meus olhos tivessem receio de denunciar. Mas Emília foi como sempre, lépida, sagaz. E logo tratou de silenciar qualquer silêncio que eu ainda trancafiasse na garganta. Foi direta. Sem delongas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;- O que está acontecendo exatamente entre a gente? Você me quereria acima de qualquer coisa? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Emília... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Ensaiei uma porção de respostas quaseadas. Mas todas naturalmente se mnemoperderam diante da dimensão de perguntas como aquelas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ora, vamos lá - ela brincou para quebrar o gelo - são apenas três letrinhas. É só dizer sim ou não... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Devo ter respondido que sim, que acima de qualquer coisa. Mas estranhei aquela aparente carência repentina. Podia ser seqüelo-impressão da minha parte, mas Emília me pareceu naquele dia estranhamente tensa. Suas bochechas ruborizavam fácil, suas mãos escorregavam-se em desculpas bestas. E os seus olhos fugidiavam-se para todos os lados. “Você me quereria acima de qualquer coisa?” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Acima de que, exatamente? Aquilo ficou me martelando por um considerável pedaço da noite, depois que Emília e eu nos despedimos meio burocráticos, sem o ardor nem a naturalidade das vezes passadas. Estava claro que Emília queria me dizer alguma coisa. E que depois disso eu precisaria me decidir substantivamente. Apenas três letrinhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Passamos algum tempo sem nos comunicar. Algum tempo, umas duas semanas. Mas quando nos falamos de novo (e desta vez eu liguei pra ela) combinamos de nos ver. Sugeri no Vila Antiga. Bom para se tomar umas doses do vinho e da poesia daquele ambiente meio medieval. Emília aceitou lacônica, submissa. Era como se guardasse algo para me revelar no momento oportuno.&lt;br /&gt;Emília. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;No primeiro encontro foi fadalizada por minhas ilusões e romantices. No segundo foi mais solta, mais realista. No terceiro foi enigmática. E no quarto soropositivou-me seu grande segredo. Estatifiquei-me. Minha boca desassalivou-se de qualquer palavra que fosse. Ainda consegui murmurar um “como?” como se fosse para ratificar o letal que, perplexos, os meus tímpanos decodificaram. Três letrinhas somente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;- HIV. Positivo. Eu sou. Ah, esquece, sabia que não entenderia. Ninguém nunca entende... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu entendia menos ainda. Ainda tentei mecânico-dizer qualquer coisa, acovardando meus anteconceitos e minhas concepções de cartilha. Dissertei generalidades um tanto abstratas e depois calei-me novamente. Emília tinha os olhos fixamente fixos em algum ponto que só ela mirava. Era como se suas pupilas relampageassem algo de efêmero, de tão tão efêmero que chegava a parecer eterno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Emília transparecia uma raiva calada e evidente. Raiva provavelmente de si mesma. Desmodelo pouco vendável na vitrine sem manchas da sociedade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Passamos pouco tempo ali. E saímos após o tudo que o nada nos permitira. Palavras, quaisquer, era o que menos importava. Pedi um tempo a ela. Para pensar, quem sabe. Nunca sabemos. De quase nada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda nos falamos uma ou duas vezes. Ela que me ligava. Depois, nem isso. E eu fingindo que não ligava. Desdeando-me em momentos que jamais voltarão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca mais vi Emília na minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-5646116320890157582?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/5646116320890157582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=5646116320890157582' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5646116320890157582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/5646116320890157582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/05/quatro-vezes-emlia-rafael-rubens-de.html' title='CONTO'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD7AcIFZpII/AAAAAAAAAGw/uobD6D7vFtc/s72-c/Olhar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4442589250909367837</id><published>2008-05-29T10:54:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:47.275-03:00</updated><title type='text'>ESPAÇO AUTOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD66YIFZpHI/AAAAAAAAAGo/gfU1gI9fG2k/s1600-h/ze+imeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205803142936634482" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD66YIFZpHI/AAAAAAAAAGo/gfU1gI9fG2k/s320/ze+imeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt; color: black;"&gt;ZÉ LIMEIRA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 7.5pt;"&gt;Zé limeira (Teixeira, 1886 - 1954) foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como "Poeta do Absurdo".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 0);"&gt;MOTE: DIZ O NOVO TESTAMENTO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;Minha muié chama Bela&lt;br /&gt;Quando eu vou chegando &lt;st1:personname productid="em casa￼O" st="on"&gt;em casa&lt;br /&gt; O&lt;/st1:PersonName&gt; galo canta na brasa,&lt;br /&gt;Cai o texto da panela&lt;br /&gt;Eu fico olhando para ela&lt;br /&gt;Cheio de contentamento&lt;br /&gt;O satanaz num jumento&lt;br /&gt;Pra mordê a Mãe de Deus&lt;br /&gt;Não mordeu ela nem eus&lt;br /&gt;Diz o novo testamento &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;br /&gt;Eu vi uma gavetinha&lt;br /&gt;Da casa de João Moisés&lt;br /&gt;Mais de cem contos de réis&lt;br /&gt;Só de ovo de galinha&lt;br /&gt;Ela comeu uma tinha&lt;br /&gt;Da carcassa de um jumento&lt;br /&gt;Que bicho má, peçonhento&lt;br /&gt;Lacrau e piôi de cobra&lt;br /&gt;Não pode mais fazer obra,&lt;br /&gt;Diz o novo testamento &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;br /&gt;Jesus nasceu em Belém,&lt;br /&gt;Conseguiu sair dalí&lt;br /&gt;Passou por Tamataí&lt;br /&gt;Por Guarabira também&lt;br /&gt;Nessa viagem de trem&lt;br /&gt;Foi pará no Entroncamento&lt;br /&gt;Não encontrando aposento&lt;br /&gt;Dormiu na casa do cabo&lt;br /&gt;Jantou cuscus com quiabo&lt;br /&gt;Diz o novo testamento! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Para saber mais sobre a vida e a obra de Zé limeira, o poeta do absurdo, acessar &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/limeira.htm"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 0);"&gt;http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/limeira.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4442589250909367837?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4442589250909367837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4442589250909367837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4442589250909367837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4442589250909367837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/05/espao-autor.html' title='ESPAÇO AUTOR'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SD66YIFZpHI/AAAAAAAAAGo/gfU1gI9fG2k/s72-c/ze+imeira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-3746307412614732793</id><published>2008-05-08T11:25:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:47.471-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCMN1CBc9TI/AAAAAAAAAGg/ZwVhE42zuMo/s1600-h/r_raposa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198013599642875186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCMN1CBc9TI/AAAAAAAAAGg/ZwVhE42zuMo/s320/r_raposa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;AFINAL, ONDE ESTÃO AS RAPOSAS DO SERTÃO?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É sempre a primeira pergunta que me faz um padre amigo meu sempre que regressa à nossa pequena e paraibana Várzea. Não sei como nunca me fiz essa mesma pergunta antes. Talvez eu sempre na tenha tomado apenas pelo lado literal da coisa. Quando ele me perguntou desta vez – há uma semana aproximadamente – não consegui pela primeira ocasião imediatar uma resposta exata e formulada. Na verdade comecei a refletir sobre a dimensão semântico-cultural dessa questão. Porque, afinal, onde estão as raposas do sertão?&lt;br /&gt;Dicionaricamente falando, a raposa é apenas e desglamurosamente aquele mamiferozinho astucioso de rabo peludo e focinho estreito que age sorrateiramente nos galináceos terreiros sertanejos. Mas, como diria João Cabral de Melo Neto, “isso ainda diz pouco”. E põe pouco nisso (com a licença da palavra do grande e pernambucano escritor).&lt;br /&gt;A raposa simboliza toda a inteligência e toda a esperteza do homem do sertão, que precisa dar nó em pingo d’água ante as agruras das constantes estiagens e da falta de recursos na região.&lt;br /&gt;Ela também pode ser vista como uma mascote cultural característico da caatinga, como, aliás, também o são o jumento, o bode e o cachorro vira-lata. Quem não conhece alguma história, uma que seja, de mordida de raposa doente? Quem, ao peregrinar por alguma das inúmeras veredas deste grande sertão não aspirou àquela famosa e inequívoca catinga de raposa?&lt;br /&gt;Pois é, no sertão é assim. Onde se imprime a cultura no sangue. Onde aprendemos a viver sertanejamente. Somos todos raposas quando precisamos ser, porque acima de tudo ser sertanejo é amar o pedaço de terra quente onde andançamos e malabarismamos vulpinamente pra sobreviver.&lt;br /&gt;O problema é que a cultura sertaneja está aos poucos sendo engolida pelo redemunho da cultura metropolitana. Aos poucos nossas raposinhas remanescentes estão sendo acachapadas pela influência pós-moderna da multimídia e do consumismo barato irrefletido.&lt;br /&gt;É, a globalização trouxe muita coisa. Trouxe a coca-cola e o hambúrguer a cada canto, universalizou a moda do jeans e pouco a pouco está norte-americando o que sobrevive da nossa tradição regional.&lt;br /&gt;Nossas raposinhas devem estar escondidas nas últimas locas de pedra que ainda não foram dinamitadas em nome do progresso capitalista. E que sobrevivam. Porque eu inda quero terapiar meus ouvidos com as inconfundíveis notas oriundas dos seus uivos peculiares e vez por outra da de cara com uma delas – mesmo que seja pelo bel-prazer sertanejo de arrepiar os cabelos da cabeça – numa das ainda tantas estradas de barro do sertão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-3746307412614732793?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/3746307412614732793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=3746307412614732793' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3746307412614732793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3746307412614732793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/05/afinal-onde-esto-as-raposas-do-serto.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCMN1CBc9TI/AAAAAAAAAGg/ZwVhE42zuMo/s72-c/r_raposa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-3206660957647981807</id><published>2008-05-06T18:09:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:47.623-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCDKeCHSTnI/AAAAAAAAAGY/sVWjnUF4BP4/s1600-h/P5060323.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197376587297869426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCDKeCHSTnI/AAAAAAAAAGY/sVWjnUF4BP4/s320/P5060323.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#660000;"&gt;DÁDIVA DESAVISADA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que as chuvas tinham arredado de vez. Fez muitos dias de sol, de vento seco e forte, e mesmo de alguns redemunhos. Muita gente estava achando bom, porque as estradas de barro estavam de novo transitáveis. Confesso que eu também já estava me acostumando com a idéia. Um sereninho aqui, outro acolá, mas no geral mesmo, aquela conhecida e velha estiagem sertaneja.&lt;br /&gt;Mas como surpreendentes cento e doze milímetros de resposta pluvial fazem o sertão desabrochar numa manhã diferente! Sol brando, neve na serra, água dando na canela. E que água cristalina e linda! A criançada se divertindo, os mais velhos reciclando experiências de senso comum.&lt;br /&gt;A natureza é mesmo generosa. O dia de São José passou faz tempo, a flor da jitirana já cansou de desabrolhar na terra pantanosa, mas as chuvadas ainda não se cansaram de bater. Estamos em maio. Mês bom de chover. Bom pra a lavoura finalmente frutificar o trabalho árduo e suado do homem do campo. Bom para reavivar os cursos das sangrias dos açudes da região.&lt;br /&gt;A chuva de ontem veio no meio da noite, de mansinho, enquanto o sertão cochilava tranqüilo e sereno e amainava um pouco do calor que escaldara boa parte do dia.&lt;br /&gt;Quando chove no sertão é assim, com aquele sabor de presente recebido. Nada como acordar de manhãzinha aspirando aquele inconfundível cheirinho de terra molhada; nada como contemplar o namoro matinal e adolescente dos passarinhos que festejam ao nosso redor; nada como se deixar levar na sinfonia do maravilhoso cântico dos sapos, que, absortos de tudo e de todos, sapo-coaxam a sua indisfarçável e girina alegria na lagoa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-3206660957647981807?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/3206660957647981807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=3206660957647981807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3206660957647981807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/3206660957647981807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/05/crnica.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SCDKeCHSTnI/AAAAAAAAAGY/sVWjnUF4BP4/s72-c/P5060323.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-8815349169840588866</id><published>2008-04-20T09:26:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:47.785-03:00</updated><title type='text'>CONTO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SAs7SwRI-vI/AAAAAAAAAGQ/C7r2d8P4Oxo/s1600-h/casamento_aneis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191308188855106290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SAs7SwRI-vI/AAAAAAAAAGQ/C7r2d8P4Oxo/s320/casamento_aneis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;MARIDO POR UMA NOITE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Rafael Rubens de Medeiros&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quando conheceu Marilene, Josival teve a certeza de que estava diante da mulher de sua vida. Como de fato foi mesmo. “Até que a morte os separe” – o padre pronunciou no altar. Casaram-se sem muita pompa. Um punhado de convidados, um garrote morto, um baile modesto; tudo, apesar de pouco, era mais do que suficiente para estampar a mais viva felicidade nos olhos do ainda jovem Josival. Ia ele entrar na casa dos trinta. Mas seus amigos mais íntimos já brincavam: “Eita, Josival, meu amigo, ficando pra rapaz velho, hem...” Ele não se incomodava não. Não era namorador nem nada, mas no âmago de si, sentia que o destino lhe reservava algo. Nunca fora muito desafeiçoado e coragem de trabalhar não lhe faltava. O que mais uma mulher poderia querer ou exigir mais para um casamento confortável? Era de fato um cabra direito, como todos à sua volta costumavam dizer durante as fofocas menos maldosas.&lt;br /&gt;Filho único, Josival perdera a mãe ainda aos dezesseis, mas conservava vivas suas recomendações e conselhos quando o assunto era casamento. Dona Irene fora mulher de bons hábitos e sempre conversava com seu filho sobre o significado além-dicionário do matrimônio. Casamento era coisa séria, sagrada. O que Deus une ninguém jamais separará. Etc. “Eu quero casar, quero fazer uma mulher feliz como ela nasceu pra ser.” Além disso, sem querer parafrasear Machado, Josival também sonhava em transmitir a alguém o legado da sua miséria. Em seu primeiro filho poria provavelmente o nome de Antonio, para chamar de Neto e homenagear o seu velho, que já cambaleava lá pelos setenta anos. Moravam só os dois, Josival e o pai, naquela casa antiga e tradicional, que na verdade era uma verdadeira relíquia da família.&lt;br /&gt;Por morar só com o pai, Josival não saía muito, aliás, quase nunca mesmo. Não se perdoaria se algo viesse a acontecer a Seu Antonio enquanto estivesse se esbaldando em alguma fuzaca por aí...&lt;br /&gt;Todavia, reza a máxima universal que toda regra tem sua exceção. Pois bem. Vamos à exceção do nosso cuidadoso Josival.&lt;br /&gt;Devias ser sábado, mês de setembro. Novena pela região, muita gente reunida, e depois do costumeiro e vigarioso sermão de sempre aquele forrozinho. Uns amigos vieram convidar Josival.&lt;br /&gt;- É na casa de Dona Ana de Joaquim Mocó, lá no Xique-xique. De sete horas a gente passa por aqui.&lt;br /&gt;Convite feito, cartas do destino traçadas. Josival saiu animado. Seu Antonio ficou em casa, com um reumatismo dos diabos.&lt;br /&gt;Quando Josival chegou, a novena já ladainhava lá pela metade ou mais. Melhor assim. Bom mesmo é na hora da “paz de Cristo”, quando a gente revê os amigos...&lt;br /&gt;E como tinha gente naquele dia. Gente inclusive que Josival nunca tinha visto. Muitas moças da redondeza toda estavam por lá, porque depois da novena ia ter forró até o dia amanhecer. Há uma filosofia interessante para se descrever as mulheres: algumas são bonitas, outras são lindas, outras são especialmente formidáveis. E foi desse jeito. Por isso que quando viu Marilene Josival teve aquela certeza. Era uma jovem com todos os requisitos para ser chamada de bela. E, além disso, possuía uma malandragem aguçada em seus olhos miúdos. Josival nunca a tinha visto antes, mas parecia que a conhecia de sua vida toda. Era, era como se já tivesse sonhado com ela.&lt;br /&gt;Dançaram muito naquela noite, e sempre que Josival sentia seus olhos se perderem nas negras e sertanejas pupilas de Marilene aquela aguda certeza aumentava. Meus Deus, seria finalmente ela? “Sim!” - disse para si mesmo; “sim!” - repetiu exatamente sete meses depois, quando, numa manhã ensolarada de um abril chuvoso, o padre lhe fez as burocráticas e sagradas perguntas que só se faz a um noivo no altar.&lt;br /&gt;Casado! Josival! Quem imaginaria? De casa feita e aliança no dedo esquerdo, Josival se sentia um tanto mais homem. Era como se estivesse cumprindo parte de uma missão que Deus lhe dera. Sim, senhor, um homem melhor; um homem muito mais homem. Homem do qual com toda a certeza Dona Irene se sentiria orgulhosa de ter rasgado o próprio ventre para parir no mundo. Josival chega sorria por dentro. Sorria o sorriso dos justos. O sorriso de quem havia merecidamente tomado uma dose a mais de uísque barato. Assim ficava mais fácil sorrir pra fora e cumprimentar os convidados. Havia convencido Marilene a levar Seu Antonio para morar junto com eles, afinal o coitado não poderia ficar sozinho para morrer à míngua sem que tivesse ninguém nem pra lhe botar uma vela na mão quando o impiedoso momento um dia um dia resolvesse dar as caras...&lt;br /&gt;Portanto. Quem naquela noite haveria de dizer que Josival não estava feliz? Finalmente tinha chegado ao encontro consigo mesmo. Eita, que viver é bom demais da conta... Alguém duvidava? Pois se alguém duvidasse que olhasse nos olhos do alegre Josival e se convencesse do milagre que é viver quando se encontra o sentido que tanto se procura. E Josival se sentia vivo. Sim, senhor. Queria mesmo era subir no alto do mundo e gritar para quem pudesse ouvir o quanto a vida é sagrada e maravilhosa. Ele, Josival, achava.&lt;br /&gt;Talvez por isso, talvez pela intrigante e absurda falta de quaisquer pistas, ninguém tenha entendido até hoje.&lt;br /&gt;Poderia não ser o alto do mundo, mas era mais alto do que parecia. O fato era que a casa recém construída de Josival e Marilene ficava perto de uma inclinação rochosa muito aguda que se erguia imponente no meio daquele sertão que o nosso Josival sempre amou. Era um lugar interessante para se observar os pores-do-sol em dias de saudade e visibilidade razoável. O Serrote da Pia ficava a uns quatrocentos metros da recém erguida casa de Josival e Marilene. Era assim chamado por se assemelhar em muito com uma pia de lavar roupa. Josival gostava particularmente de toda aquela aquela imponência, de toda aquela altura altamente íngreme e desafiadora. Era como se lá de cima o sujeito se sentisse mais perto do céu...&lt;br /&gt;E muito provavelmente até hoje lá por aquelas bandas ainda deve ressoar o eco dos pensamentos e das razões secretas que fizeram Josival tomar seu último impulso. Ninguém, nem mesmo a desposada Marilene, viu Josival irromper madrugada a dentro para avistar muito mais de perto o quebrar da barra e, num ímpeto decidido e voraz, sinonimizar vida e morte em meio a suspiros e remorsos entrecortados. Seu Antonio nunca entendeu. Nem o como nem o porquê de nada; e em seu desespero de pai que deixou de ser pai simplesmente calou-se. Afinal, não é preciso explicar nem dizer mais nada àquele mormaço morto e entorpecido que banha os princípios de manhã sertanejos e que lhe ficou pra sempre no vítreo dos olhos que um dia olharam o pequeno Josival se transformar num homem feito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Morto e entorpecido. O coração e o semblante de Seu Antônio ficaram para o pouco do sempre que inda lhe restava.&lt;br /&gt;Pois também foi assim que encontraram o pobre Josival na manhã meio nublada que sucedeu sua própria manhã. Inerte e totalmente arrancado da vida que seus próprios olhos esbaldavam na noite passada&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-8815349169840588866?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/8815349169840588866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=8815349169840588866' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8815349169840588866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/8815349169840588866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/04/marido-por-uma-noite-rafael-rubens-de.html' title='CONTO'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/SAs7SwRI-vI/AAAAAAAAAGQ/C7r2d8P4Oxo/s72-c/casamento_aneis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-4407864675148819788</id><published>2008-03-05T20:09:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:47.959-03:00</updated><title type='text'>(ESPAÇO AUTOR)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R88oi9CaVKI/AAAAAAAAAGI/bgmjL7-oEJA/s1600-h/ze+da+luz.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174399077837329570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R88oi9CaVKI/AAAAAAAAAGI/bgmjL7-oEJA/s320/ze+da+luz.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;(Zé da Luz)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#660000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Severino de Andrade Silva (Zé da Luz), nasceu em Itabaiana, PB, em 29/03/1904 e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 12/02/1965.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Ai! Se sêsse!...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Se um dia nós se gostasse;&lt;br /&gt;Se um dia nós se queresse;&lt;br /&gt;Se nós dos se impariásse,&lt;br /&gt;Se juntinho nós dois vivesse!&lt;br /&gt;Se juntinho nós dois morasse&lt;br /&gt;Se juntinho nós dois drumisse;&lt;br /&gt;Se juntinho nós dois morresse!&lt;br /&gt;Se pro céu nós assubisse?&lt;br /&gt;Mas porém, se acontecesse&lt;br /&gt;qui São Pêdo não abrisse&lt;br /&gt;as portas do céu e fosse,&lt;br /&gt;te dizê quarqué toulíce?&lt;br /&gt;E se eu me arriminasse&lt;br /&gt;e tu cum insistisse,&lt;br /&gt;prá qui eu me arrezorvesse&lt;br /&gt;e a minha faca puxasse,&lt;br /&gt;e o buxo do céu furasse?...&lt;br /&gt;Tarvez qui nós dois ficasse tarvez&lt;br /&gt;qui nós dois caísse&lt;br /&gt;e o céu furado arriasse&lt;br /&gt;e as virge tôdas fugisse!!! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para saber mais sobre a obra do poeta Zé da Luz acessar &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.secrel.com.br/JPOESIA/poesia.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.secrel.com.br/JPOESIA/poesia.html&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-4407864675148819788?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/4407864675148819788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=4407864675148819788' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4407864675148819788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/4407864675148819788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/03/espao-autor.html' title='(ESPAÇO AUTOR)'/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R88oi9CaVKI/AAAAAAAAAGI/bgmjL7-oEJA/s72-c/ze+da+luz.gif' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36860802.post-6776085358961722074</id><published>2008-02-19T18:07:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T05:59:48.117-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R7tG-sxl4eI/AAAAAAAAAEc/O7De3rCQz1I/s1600-h/minha_saudade_es_tu.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R7tG-sxl4eI/AAAAAAAAAEc/O7De3rCQz1I/s320/minha_saudade_es_tu.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168803040322773474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p style="text-align: center; font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 0);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Não mais&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:78%;" &gt;Fernanda Passos&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Resquício das lágrimas vertidas intencionalmente para obstruir teus passos, submergir a resolução e dissolver o tempo. Assim ficaria em ti, se fosse possível. Em teu corpo, um mosaico de apelos. Fractais de tristeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O fenecimento do lampejo nas retinas de minhas janelas - brotado efemeramente no horizonte - para que vislumbrasse a ausência, lugar de tua morada, não compreendi. Segui adornando de quimeras o que não mais era.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do querer insano, resíduos recheando a lacuna de teus contornos restará. E também o eco dos gemidos de dor a contaminar os orifícios auditivos que levaste. Riscarei tua carne - diariamente - com o fio de cabelo que grudou na roupa que vestias e não perderá meu vulto nos anseios que tiveres.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim, tatuarei a saudade no lado esquerdo de teu peito, plantando a vontade na memória. Retornarás pela mesma estrada - construindo atalhos que encurtem o caminho - só para que o tudo de ti encontre o nada de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É que vazia e despedaçada, iniciei a colagem do que me restou abandonada. Quando chegaste, meu olhar não reconheceu a face antes tão querida e os fragmentos que deixei contigo, não mais se encaixam nessa forma que montei só para me encontrar depois de me perder em ti, meu desgosto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36860802-6776085358961722074?l=substancialiteraria.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/feeds/6776085358961722074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36860802&amp;postID=6776085358961722074' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/6776085358961722074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36860802/posts/default/6776085358961722074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://substancialiteraria.blogspot.com/2008/02/no-mais-fernanda-passos-resqucio-das.html' title=''/><author><name>Rafael Rubens</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04387545277706003599</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='04073765511926392823'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mXYBRyhb2Gg/R7tG-sxl4eI/AAAAAAAAAEc/O7De3rCQz1I/s72-c/minha_saudade_es_tu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>