quarta-feira, janeiro 22, 2014

AS INTERMITÊNCIAS DA SAUDADE

Se fosse possível descarnar o sonho
existente na derme do luar
Se fosse possível inamimar vestígios
do perfume do tempo já perdido
que fica latejando na memória,

Se fosse possível dizer novamente
as frases que teus olhos me roubaram
ou rever aquele pôr-do-sol
eclipsado por lembranças vagas
Se fosse possível resgatar
os primeiros segundos da aurora
pra mastigar a sensação de recomeço
ou soprar a fumaça das velas 
que alumiaram aquela despedida

Se fosse possível retornar
pra sentir o desmaio do mormaço
na sombra da castanhola

E quereria só fechar os olhos
Pra degustar melhor a brisa do impossível...

Porque a memória é o poente 
das emoções sentidas e vividas
por isso vive desaguando mansamente
como um avião que risca o azul da tarde
carregando consigo um pensamento
e deixando a vaguidão inexplicável 
de uma saudade adormecida
nas esquinas desbotadas
dos passos que já foram dados.

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