segunda-feira, dezembro 15, 2008

RETROSPECTIVA
Rafael Rubens de Medeiros
Os passos que dei e os que hesitei desconfiado foi que persuadiram meu futuro.
É mesmo impressionante como levamos em conta o tempo cronológico das coisas. Uma hora, um minuto, um segundo, um momento; tudo é profundamente determinante no apressado e efêmero das nossas vidas... Sempre me surpreendo quando começo a pensar no que se perpassa dentro do espaço ao mesmo tempo trivial e mágico de 365 dias. O número de dias nem é exato, haja vista que os bissextos acrescentam mais um à sua contagem, mais uma estrofe às suas epopéias. Diante do dezembrar de mais um dezembro é natural que pensemos nos passos que demos até chegarmos ali, e miremos de maninho pelo retrovisor das nossas saudades e lembranças esquecíveis. Mas deixemos a metafísica um pouco de lado por aqui. Sejamos pragmáticos. Por exemplo: você é capaz de se lembrar ao certo dos pensamentos, perspectivas e objetivos que principiaram em você junto com janeiro deste (ainda corrente) ano, a expectativa que seu olhar denunciava? Como estão em meados de dezembro as sementes que seus sonhos plantaram no começo de 2008? Frutificaram? Durante o intervalo de um ano acontece um mundo de coisas no mundo. O mundo vai mudando à medida que vamos mudando junto com ele. Tudo é simples e natural, por isso Oswaldo Montenegro tem mais do que razão em seu poético aforismo “faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você desistiu de sonhar?” definitivamente tudo converge, tudo passa e compassa no movimento de translação dos nossos próprios passos. Eu fico pensando nos meus projetos que não vingaram em 2008, nos poemas que eu nunca consegui dar um final, ,as “utopias nocauteadas no meio do caminho”. Lamentando por não ter feito aquele sorriso sorrir, por desacelerar a adrenalina daquele coração enamorado ansioso de futuro. Agradecendo pela possibilidade que tive de reconfortar, mesmo que virtualmente, aquele outro coração que sofria caladinho com a possibilidade de perder seu ente mais querido e biologicamente mais próximo. Não dá para se descrever em minúcias, em palavras menos ainda, as sensações que um ano inteiro nos proporciona. Não dá para externalizar verbalmente a saudade insistente daquela garota incrível que justamente este ano foi morar nos Estados Unidos, nem para definir a magia dos momentos de outrora em que dividíamos entre outras coisas poesia e sonhos. Definitivamente não calculamos as horas e os dias de um ano na calculadora. Fazer a retrospectiva de um ano, este retalho de vidas justapostas num espaço temporal de 365 dias, é reabrir aquele velho álbum de fotografias e sentir aquele mesmo cheiro nostálgico de vida – que passou, que passa, e que sempre passará (trilogia que apenas atesta a sua constante continuidade). Um ano passa rapidinho, por isso às vezes temos a impressão de que os ponteiros do relógio estão mais rápidos ultimamente. Tenho certeza de muitos que estão terminando esta leitura (ufa, finalmente!) já estejam sentindo por estas alturas aquele sabor de ano que passou. Talvez porque esse sabor seja sempre evidente em dezembro. Eu prefiro o sabor do sorvete que a persistência da minha memória e eu dividimos lá por fevereiro. Porque o sabor da felicidade é atemporal e se se mede é na certeza de uma próxima vez. Afinal, um ano só termina na perspectiva do nascer de outro. Que venham novos sonhos, novos olhares, novas descobertas. E que no momento em que 2008 subir ao altar e balbuciar o seu “sim” para 2009, eu tenha na boca essa mesma sensação e recomeço para murmurar convenção-socialmente “um feliz anos novo a todos!”

5 comentários:

Matematica Elementar disse...

Eita como é complicado fazer uma avaliação dessa natureza. Um ano que se passa nos deixa proezas e frustrações e como voce bem disse - esquecíveis - agora é minha vez de dizer "Que bom que são esquecíveis".

Simplesmente Samelly disse...

Que seus novos sonhos tragam novos olhares de descobertas.

(Fiz um novo blog, por favor, atualiza o link do meu aí na tua lista de favoritos)

Beijo recitado

Sidney Andrade disse...

Se ainda te lembras, aquele amigo de Samelly meio tonto e mais que cego.

Este teu trecho:
"...e miremos de maninho pelo retrovisor das nossas saudades e lembranças esquecíveis."
lembrou-me outro, do Teatro Mágico (de quem não gosto muito, confesso. Mas neste caso dou o braço a torcer):
"[...]
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
[...]"

De fato,Dezembro carrega consigo o fardo das ponderações cronológicas banais: será que fiz bem? será que fiz mal? quanto tempo perdi? quanto ganhei com o tempo?
Acaba que o tempo, em si, não tem fim, nós que findamos todo ano, pra sentirmo-nos de certo modo perpetuados por tantos renascimentos teimosamente repetittivos e ciclicos.

Um ano bom pra ti, e pra todos.
Abraço.

Bruno Gaudêncio disse...

Olá rapaz, lembro de um conto seu no Cordeltras, dos meus amigos Márcio e Lenildo, gostei dos seus escritos no blogue, um abraço e nos vemos por aí em nossas aventuras literárias. Meu blogue: http://brgaudencio.wordpress.com/

CONTO DO ESPELHO disse...

muito bom seu blog, gostei das poesias.
aproveite e visite o meu:
http://contodoespelho.blogspot.com