quarta-feira, dezembro 03, 2008

(MEUS POEMAS COMETIDOS)

HOJE ETC
Talvez seja impossível conjugar o tempo presente
No indicativo das atuais circunstancias
É sonolentamente árduo observar pela janela
Tudo o que não conseguimos.
Viver é um ato desatado e subjetivo
E eu já não me importo com quase mais nada
Hoje não me resta senão o resto
Do perfeito ou imperfeito pretérito
Que conjugamos aos trancos e barrancos.
Minhas retinas já desanimaram
diante da evidente impossibilidade
de um futuro mais que perfeito
(algo gramaticamente imponderável)
E diante desse quadro crítico
nos sentimos críticos
de um nada sem nenhuma arte
Somos um museu de sombras saudosistas
Revoltadas e alienadas
E eu em nada me diferencio
Se silencio é por comodidade
ou mera preguiça macunaímica.
Eu não me escondo, mas não apareço
Não padeço nem dou gargalhada
Estou muito ocupado paquerando o ácaro
do calendário amarelado e sádico
que a minha avó me deu no ano novo
Não chorarei nem cantarei canções de amor
Não contaminarei o mundo já contaminado
Com a medíocre poesia do meu ser
Porque meus molares semi-obturados
Há muito trituraram o fiasco
Das minhas metáforas adormecidas
O amanhã que se transforme em hoje
E o hoje que se transforme em hoje
Escoando devagar e sempre
Pelos esgotos da minha memória...

Um comentário:

Rousi disse...

É triste, mas é lindo. (e talez só seja lindo pq é triste, mas é lindo) kkkkkkkkkkk.

Só não gostei do: "Escoando devagar e sempre
Pelos esgotos da minha memória..."

A memória sempre guarda o sabor das coisas... e acho que se teve sobor já é bom, é o melhor. Ela sempre guardará as histórias que foram boas enquanto duraram (e não merecem os esgotos), mesmo que "Hoje não me resta senão o resto
Do perfeito ou imperfeito pretérito
Que conjugamos aos trancos e barrancos".

Beijos meus ;*