terça-feira, fevereiro 19, 2008


Não mais

Fernanda Passos

Resquício das lágrimas vertidas intencionalmente para obstruir teus passos, submergir a resolução e dissolver o tempo. Assim ficaria em ti, se fosse possível. Em teu corpo, um mosaico de apelos. Fractais de tristeza.

O fenecimento do lampejo nas retinas de minhas janelas - brotado efemeramente no horizonte - para que vislumbrasse a ausência, lugar de tua morada, não compreendi. Segui adornando de quimeras o que não mais era.

Do querer insano, resíduos recheando a lacuna de teus contornos restará. E também o eco dos gemidos de dor a contaminar os orifícios auditivos que levaste. Riscarei tua carne - diariamente - com o fio de cabelo que grudou na roupa que vestias e não perderá meu vulto nos anseios que tiveres.

Assim, tatuarei a saudade no lado esquerdo de teu peito, plantando a vontade na memória. Retornarás pela mesma estrada - construindo atalhos que encurtem o caminho - só para que o tudo de ti encontre o nada de mim.

É que vazia e despedaçada, iniciei a colagem do que me restou abandonada. Quando chegaste, meu olhar não reconheceu a face antes tão querida e os fragmentos que deixei contigo, não mais se encaixam nessa forma que montei só para me encontrar depois de me perder em ti, meu desgosto.

Um comentário:

Fernanda Passos disse...

Obrigada. É uma honra ter um trabalho meu publicado aqui. Feliz e orgulhosa.
Vou divulgar teu blog linkando nos meus.
Abraços.