Quarta-feira, Julho 01, 2009
Quinta-feira, Junho 11, 2009
Rafael Rubens de Medeiros
Quando eu era pequeno, gostava de observar os carros que passavam na estrada. Meu irmão e eu acompanhávamos com a vista até eles sumirem pequeninos e barulhentos num horizonte rarefeito e poeirento. Depois eu construía meus próprios veículos de caixas de remédio e brincava com eles na réstia da telha. Tinha uma das caixas de remédio que ofuscava uma luz azul belíssima. Acho que o medicamento se chamava Gleran, mas na minha imaginação era muito mais do que aquilo. Dizem que criança pobre tem mais imaginação do que criança rica. Talvez seja verdade. Alguma coisa a gente tem de ter mais... Uma imagem costumava visitar meus sonhamentos: a de uma descida numa serrinha, típica paisagem rural do Nordeste brasileiro, uma estrada de barro que passava em frente a uma casinha modestamente modesta. Confesso que até hoje inda me pego pensando naquele lugar. Era como se eu o conhecesse, sem jamais tê-lo visto na minha vida. Mas crianças são assim mesmo. Não apenas pensam, não apenas imaginam. Elas vivem o lado fantástico da vida. Por isso a vida parece fazer mais sentido. Quantas vezes me imaginei adulto, quantas vezes quis que o tempo passasse mais depressa para que eu chegasse a vivenciar as possibilidades que tanto formulava em minhas expectativas pueris! Hoje, depois de um quarto de século deixado para trás percebo que os verbos conjugados no futuro só têm relevância depois que saem do subjuntivo. É a gramática sem nexo da vida. Advérbios de tempo sempre me chamaram a atenção. Gostava particularmente dos “desdes”, “enquantos” e principalmente, dos “quandos”. Era como se eles tivessem a capacidade de recortar retalhos de vida e de tempo. Eu lembro do dia em que meu pai completou setenta anos. Ele acordou mal-humorado e pronunciou: “Estou com setenta anos! Estou velho e imprestável. E saber que parece ser ontem que eu era um menino que corria para todo canto.” Naquele dia eu percebi como retrospectivas podem ser cruéis, dependendo do ponto de vista. É simples pensar que tudo é uma questão de revisitar com outros olhos aquilo que já fomos. Mas o tempo. Ele faz muito mais do que simplesmente passar. A vida. Ela é muito mais do que um simples envelhecer de células. Quando finalmente compreendemos aquilo que significa ser adulto, um homem ou uma mulher com algum nível de maturidade considerável, tudo o que ansiamos é a alternativa aparentemente impossível de voltarmos a ser criança. A idéia não é voltarmos no tempo, isso contrariaria inúmeras teorias físicas e astronômicas. É abraçarmos aquela criança dorme no âmago de cada um de nós, louca para ser redespertada. Nossos sonhos não morrem. A distância entre os sonhos e a realidade está na disponibilidade simples de se abrir ou fechar os olhos. E quando se é criança se entende isso muito mais facilmente. Eu lembro que ficava observando os raios de sol da manhã só para que a claridade ofuscante do nascer do dia brincasse com minhas retinas. Então ilusões de óticas transparentes e intrusas desciam do céu como que de pára-quedas e se multiplicavam, ganhando significações e contornos diversos. E mais uma vez se aplica aquela teoria das imaginações das crianças mais pobres. Do que adianta comprar diversões caras se o mundo inteirinho convertido nas belezas acessíveis ao olhar pode ser nosso melhor brinquedo? Quando por acaso vejo alguma criança bem pobre brincando feliz e radiante, fico pensando no mundo um milhão de vezes melhor em que sua imaginação embarca. Nessas horas umas pontadinhas de ternura são inevitáveis. Então prefiro calar minhas concepções empalidecidas de adulto que finalmente absorveu a suposta face real das coisas da vida. E penso que os sonhos que eu sonhava quando era pequeno não são tão longínquos assim. Na verdade eles são meus melhores impulsos. E eu acho que jamais podemos perder nossos impulsos de vista. São eles que dão um colorido especial ao desbotado de nossas vidas manipuladas. Mas afinal, qual é a melhor hora de recorrermos a eles? Que tal agora mesmo? É só saber procurá-los no lugar certo. E o lugar certo é na simplicidade do olhar de uma criança.
Segunda-feira, Abril 20, 2009
(CONTO)

NOS OLHOS MAREJADOS DE SABRINA
Rafael Rubens de Medeiros
Aquele era com certeza o pardalzinho mais bonito que já vira em sua vida toda. Pardalmente tranqüilo, beira-da-estradeava ali, assim, sem se preocupar com o resto alucinado do mundo que adormecia adulto lá fora. Sabrina não queria dormir. Era melhor ficar observando as cotidianices da vida que malabarismavam além da quadrática e miúda janela da ambulância. Eram tantas coisas, tantas... Como alguém pode deixar desmaiar sua sensibilidade e fingir não percebê-las? E as casinhas de taipa a cumprimentavam. Meu Deus, como elas são singelinhas. O homem que carregava aqueles quatro paus de lenha no ombro jamais iria supor que um dia fora refletido naqueles olhinhos marejados que passavam fotografando vida a mais de
Sabrina pensou por um instante no efêmero das coisas. Quem foi mesmo que inventou esta história de contar o tempo? Nas aulas de Física falaram em frações de segundo. Só não tiveram tempo de dizer que os segundos também são frações de algo muito, muito maior. As pessoas vivem tão ocupadas... Já reparou que quando se é criança o dia parece ser muito maior? É que vivemos a essência dos segundos, não a pressa atribulada dos anos. A ambulância também parecia ter pressa e engolia o asfalto em goles grandes. Sabrina tinha catorze anos e, como afirmaria a máxima universal, uma vida inteira pela frente.
- Sinto muito. É câncer.
- Não pode ser, doutora. Minha filha só tem 13 anos de idade.
- Infelizmente, minha senhora, o câncer não escolhe cor, idade, sexo nem posição social. Dois exames não podem estar enganados. Sabrina tem câncer no canal vaginal.
- Como pode ser isso, doutora? Minha filha ainda é virgem e tudo! - D. Jailza pronunciara estas últimas palavras como o argumento mais potente e desesperado que lhe forneceu sua bagagem de senso comum.
- Minha senhora... O fato de ser virgem ou não não quer dizer nada. Na verdade, o câncer no canal da vagina ocorre em virtude de uma predisposição cancerígena das células que se desenvolvem nessa região, independentemente das atividades sexuais da pessoa...
Aquelas explicações altamente científicas e técnicas não explicavam nada para D. Jailza. Ela não queria acreditar que sua única filhinha fora acometida daquela enfermidade letal e irreversível.
- Diz que não é verdade, doutora. A bichinha só tem treze anos de idade. Ela não merece isso não...
E na verdade alguém merece? – perguntava em baques surdos e descompassados o lado menos egoísta do coração de mãe de D. Jailza.
A ambulância era por demais apertada. Cabia apenas mais uma pessoa sentada do lado da cama. Mas Sabrina já era acostumada com a situação, e quando a dor amainava ela até se divertia, brincando com a ventoinha. Por vezes mirava os olhos para o teto por pedaços consideráveis de tempo, como quem vislumbra algo bem mais longe e muito mais além. Era nesses momentos que os seus olhinhos adolescentes suavizavam a expressão e marejavam um sorriso interior. E Sabrina retrospectivava suas melhores fatias de vida vivida. Engraçado que quando se olha pro nada em nada é a única coisa em que definitivamente não pensamos.
Sabrina lembrou do dia em salvara um gatinho lá na escola juntamente com duas de suas colegas de oitava série. O bichinho era cego e estava encurralado por dois cachorros num recantinho estreito do pátio do colégio. Elas espantaram os cachorros e resgataram o pequeno felino, arisco a princípio, mas que logo logo já ronronava eufórico e agradecido nos colos das meninas. E Sabrina amou-o de imediato, levou-o para casa, alimentou-o e batizou-o de Pitico. Mas quando seu pai chegou em casa não permitiu que Pitico ficasse, para tristeza de Sabrina. “Ora, minha filha, esses animais só servem para passar impinge pra gente”. E Pitico foi recolocado na rua, afastando-se a contragosto, tímido e devagar até sumir pequenininho na última esquina. Meu Deus, como Sabrina chorou naquele dia. Depois disso, ela jamais quereria um animal de estimação novamente.
Outra vez fora flagrada colando na prova de Geografia. Fusos horários. Assuntinho mais chato. E daí se de Brasília a Sidney na Austrália vão 11 horas de diferença? Bah! Trivialidades, desimportâncias. Pra que afinal perder tempo estudando aquilo, quando muito mais divertidos e interessantes eram os seriados na TV? Não havia estudado e pronto. Agora o negócio era mover os pauzinhos na hora da prova. Só que o professor Roberto não deu mole não. E quando Sabrina achou de trocar as folhas de resposta da prova com a colega ao lado, percebeu tardiamente que sua ação desexemplar de aluna estava sendo observada. Ainda tentou disfarçar, mas não tinha mais jeito. Foi zero nas duas sem direito a recuperação. Um total desastre. Como explicar isso em casa? Sabrina podia imaginar a cara de D. Jailza quando ela recebesse o boletim para assinar. Estava até o pescoço encrencada. Isso merecia vingança. E ela veio no mesmo dia. Pobre do professor Roberto, tão atento para com a fiscalização das provas em sala, tão descuidado para examinar sua moto antes de dar partida! Sabrina e sua companheira de cola haviam travado a roda dianteira da motocicleta amarrando arames nos raios. Quando o desatento e apressado professor deu partida, engatou a primeira e arrancou o desmantelo já tava feito. Pois foi. Newton estava mais do que certo quando defendeu a teoria da inércia. Que queda medonha! O professor Roberto passou por cima dos guidões e desabou com todo corpo no chão. O estrondo no calçamento foi tão grande que todo mundo no colégio correu para olhar o que era. A gurizada ria que se acabava, mangando e fazendo algazarra. E o coitado do professor Roberto, humilhado, levantava-se a custo, batia a poeira e tentava recolher seus papéis que haviam se espatifado na calçada. Enquanto isso, Sabrina lavava as mãos na pia do banheiro feminino com o coração sereno e a consciência mais limpa do mundo. Lá fora, os ânimos cada vez mais exaltados. Tinha de se achar o culpado de uma brincadeira de tão péssimo gosto. “Brincadeira não, isso é atitude de marginal!” – bradava o diretor, esquecendo-se das máximas pedagógicas que aprendera há muito tempo na faculdade. Então. O tempo vai passando e amnesiando um pouco um fervor dos acontecimentos. Muito embora a direção tivesse empenhado sua palavra, o tal culpado jamais seria descoberto. E apesar de algumas pessoas afirmarem de fé e verdade que haviam visto Sabrina rondando por perto da moto do professor, ela estava livre de suspeitas. Não, Sabrina não. Uma menina tão meiga, tão comportadinha... Sabrina recordava este fato hoje com uma pontinha de remorso, mas ao mesmo tempo acompanhada de uma onda de alegria travessa e jovial que lhe trazia um brilho intenso, insistente no olhar. Brilho de vida. Nem que fosse resgatada aleatoriamente na memória. Sabrina se lembrava. Viver era bom. E já havia sido muito, muito melhor.
- Você está passando bem, minha filha?
- Tô sim, mãe.
- Ficou calada de repente.
- Tava só pensando.
- Pensando em quê, posso saber?
- Na vida, mamãe. Na vida.
- Na vida?
- Sim, mamãe. Olha, olha! O bezerrinho!
- Bezerro? Onde, menina?
- Pela janela, olha!
- Ah sim. Tô vendo. O que tem de tão especial nele?
- Tudo, mãe! Olha como ele é lindo! Escaramuçando todo alegre, olha!
D. Jailza olhou. E pensou na vida também. O semblante e a alma ficaram mais leves. Aquele bichinho saudável todo cheio de energia. Tão novinho. Aquele sabor otimista que tem todo começo. Depois pensou na situação da filhinha e entristeceu-se um pouco. Por que com ela? Por que com sua única filhinha? Então pensou novamente no bezerrinho saltitante e o coração se mais uma vez encheu de esperanças. Ah, Sabrina também havia de ter o seu novo começo. Havia sim. Porque quando se crê em Deus não falta mais nada.
- Ainda falta muito, mãe?
- Anh?
- Quanto tempo ainda pra chegar?
- Ah sim. No máximo mais meia hora, minha filha.
- Que bom. Já tá me dando câimbra ficar deitada o tempo todo...
Aquelas viagens aconteciam geralmente nas segundas feiras e haviam se tornado comuns na vida de Sabrina. Desde que o câncer fora diagnosticado, naquela tarde enubladada de quarta. O pior que Sabrina achava naquilo tudo era ter de acordar às três da manhã. “Sabrina, minha filha, acorde, se lembra que hoje vamos no hospital de novo...” Sem falar que tinha vezes que a estrada parecia ser muito mais longa. E parecia que não iria se chegar nunca. Mas a estrada era sua metáfora.
As seções de quimioterapia eram a parte mais difícil do tratamento. Tudo era muito cansativo, dolorido. Nesses períodos, Sabrina ficava muito fraca, debilitada. Sentia como se seu organismo jovem estivesse envelhecendo antes do tempo. Fastios freqüentes, gosto de desmaio na boca. D. Jailza mesma estranhou muito no dia
- Seu doce preferido, meu amor... Comprei só porque sei que você gosta muito.
- Deixe aí, mãe... Tô sem vontade.
- Está certo, querida. Vou deixar aqui, tá bom? Se você quiser é só dizer.
Aquela foi a primeira vez que D. Jailza não pôde abafar a sua tristeza e deixou escapar alguns soluços amargos e entrecortados. Dizem que coração de mãe sofre em dobro as dores de sua cria. E sua menininha tava tão doentinha. Mas sobretudo nessas horas D. Jailza sabia que tinha de ser forte. Não queria jamais que Sabrina lhe visse chorando. Isso faria Sabrina sofrer ainda mais. E a pobrezinha já sofria o bastante, acometida por aquela doença dos infernos. Por isso quando o choro vinha D. Jailza trancava-se no banheiro e escorria suas lágrimas doídas e soliloquiadas pelo ralo da pia.
Quando seus cabelos caíram, Sabrina entristeceu ainda mais. Sentiu-se feia, cadavérica. Cada fio que ficava no pente ia desmatando suas melhores esperanças de cura. Era como se seus cabelos representassem uma parte sadia de si. Fiapinhos de vida que iam diminuindo cada vez mais. A primeira vez que inventou de sair na calçada de casa os pivetes na rua insultaram, fizeram pilhéria, zombaram. E a garotinha, careca, rapidamente se recolheu, de olhar cabisbaixo e ego machucado. “Como é que tem gente que tem coragem de fazer piada de um caso de doença? Rir da desgraça dos outros?” Sabrina lembrava de sua turma do colégio, que sempre dava um jeito de fazer brincadeira de tudo. Vieram-lhe umas pontadinhas de saudade. Como fora difícil não estar com eles este ano. Eles já estavam no primeiro ano. Sabrina sozinhava refletindo. Seria tão bom estar também no primeiro ano e não num talvez último. Mas a estrada. Nem sempre as porteiras estarão abertas...
Os ponteiros do relógio já iam apontando quase sete da manhã. A ambulância agora reduzia um pouco. A paisagem começava a ficar urbana e barulhenta. Sabrina percebeu que estavam chegando.
- Feche a janela, mãe, está ventando.
E ficou absorta por mais alguns instantes contemplando seu próprio reflexo que dava no vidro da janela da ambulância. Lá estavam seus olhos, marejados e abatidos, mas também vivos e esperançosos. Na janela que dava para o horizonte Sabrina contemplava agora as janelas subjetivas de sua própria alma. Depois fechou-as também e ficou pensando baixinho. Até quando “viver é melhor do que sonhar”? Seria bom se o mundo fosse como cada um sonhasse. E Sabrina sonhava. Quereria um mundo quase igual, mas se fosse possível, um mundo sem dores nem quimioterapias. Sim... Seria muito bom. Pensar nisso aquietava seus maiores medos, aqueles que às vezes lhe visitavam e afligiam durante a noite. A cura do câncer. Os médicos na TV afirmavam que ela estava próxima, era só uma questão de tempo. Mas isso também era só um palpite. E palpite por palpite, Sabrina preferia ouvir os do seu coração.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
(MEUS POEMAS COMETIDOS)
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
TEOREMA CONTEMPORÂNEO EXTREMAMENTE INUSITADO
Rafael Rubens de Medeiros
Ícaro entra na sala... Ícaro fala para todos: boa noite! Alguém a fim de tc? Pandora (reservadamente) para Ícaro: Boa noite... vc sonha alto, hem? (rsrs) Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ??? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: aff... O Ícaro, entendeu? O que significa ? O nick que vc está usando. Dãããã!!!! Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ahhhhhh Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: é só p tirar onda msm. Vc nunca assistiu o desenho do Hércules? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: ué, e é só por isso? Que coisa mais idiota, nã... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: idiota é vc. E Pandora... um nome vei q nem existe. Q leseira. kkkkkkkkk Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Meu Deus, o caso é pior do que eu pensava... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Bem, não sei se isso vai adiantar de muita coisa. Mas só pra sua informação, o nome Pandora vem do grego e significa dotada de tudo... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: blz... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: como é q vc lembra disso td? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: não lembro ipsi literis. Mas pra que serve o Google nessas horas, não é verdade? (rsrsrs) Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: que mulesta é ipsi literis Ícaro (reservadamente) fala para Pandora:? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: kkkk Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Desculpa aí. Deveria ter imaginado que salas de bate-papo e expressões latinas não dão uma combinação muito boa... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: olha, vou te explicar, ok? Ipsi litteris significa com todas as letras, isto é, dito da mesma forma, com exatidão, tipo a mesma coisa, entendeu? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: a mesma coisa o q? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: esquece... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: vc me deixa confuso... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: owww, eu te deixo confuso? Que bonitinho... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ei, peraí, né... num precisa zoar tbm Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Perdão, criança Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: criança? Oxe e vc tem quantos anos? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Não... criança é um modo de falar. Eu só tenho 26 anos (rsrs) Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: hummm eu tenho 19 Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Ah, é mesmo? Que fazes da vida? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: por enquanto só estudo. Vou prestar vest no final do ano Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Olha, que legal! Pra que curso será? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ainda n tenho certeza n. qualquer coisa q de dinheiro... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Nossa! Que coisa mais capitalista. Você só pensa na parte financeira da coisa, é? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: claro. Minha família é pobre. Precisa de grana. Eu acho q é o melhor futuro q eu possa dar p mim e p eles Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Sei... isso é mesmo muito complicado. Mas não podemos pensar só por este lado não. Você sabe, o dinheiro é importante sim Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: e se é... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: mas também temos q eu pensar em algo que nos realize Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: profissionalmente, pessoalmente, entendes? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: hum hum... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: ei, agora fala um pouco de vc tbm Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: solteira? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: É, na verdade sou. É uma parte meio complexa, meio conturbada da minha vida. Assim, como eu te diria... na verdade... tipo, eu sou homossexual, entendes? Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: eca, tu é macho é? Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: NÃO, MENINO!!! Deixa de ser tão ignorante Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: foi vc q disse q era homossexual Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Menino, a palavra homossexual não se restringe apenas a homem não. Ela significa literalmente, etimologicamente “sexo igual”... Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: explica, né... nunca fui bom em biologia msm... Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: Biologia? Rapaz, você está conseguindo me surpreender cada vez mais Pandora (reservadamente) fala para Ícaro: a propósito, vou sair. Pode ser contagioso isso aqui Ícaro (reservadamente) fala para Pandora: oxe! e é a doida, é? Pandora sai da sala... Ícaro fala para Ícaro: vai p lá, sapata réa... na, num intende nd q a pessoa diz. Afff num suporto gente burra. nã, eu sou mais eu, filha... Ícaro fala para Ícaro: lesa lesa lesa Ícaro fala para Ícaro: kkkkkkkkkkkkkk

